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Luiz Seabra expõe lado místico e conta origem da Natura

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Luiz Seabra, fundador da marca Natura, sempre soube que sua trajetória seria fora do comum.

Eu acompanho a história do mercado de beleza brasileiro há anos e me surpreendi quando soube que, muito antes de liderar a maior empresa de cosméticos da América Latina, Seabra cresceu ouvindo de uma vidente que teria “a mão de ouro”.

Luiz Seabra expõe lado místico e conta origem da Natura

Nascido em São Paulo em 1942, Antonio Luiz Seabra viu o destino de sua família mudar logo no primeiro dia de vida: o pai, desempregado havia dois anos, conseguiu trabalho poucas horas após o parto. A mãe costureira, influenciada por previsões espirituais, alimentou a crença de que o filho prosperaria financeiramente — uma ideia que permeou a juventude do empresário.

Primeiros passos profissionais

Aos 15 anos, Seabra começou a trabalhar. Quatro anos depois, assumiu um cargo de gerência em uma multinacional e, aos 24, passou a administrar um pequeno laboratório de cosméticos pertencente a um esteticista francês na rua Haddock Lobo, em São Paulo. Ali, estudou fisiologia da pele, visagismo e ética na beleza. O choque com promessas publicitárias exageradas serviu de gatilho para definir o propósito de sua futura empresa: falar a verdade ao consumidor.

Da lojinha à gigante Natura

Em 1969, com recursos limitados, Seabra abriu uma pequena loja na rua Oscar Freire — região que, na época, contava apenas com um tintureiro, uma padaria de um finlandês e um esteticista vizinho. Naquele espaço, testava fórmulas climatizadas, elaboradas com ativos naturais, e prestava consultas personalizadas. Quatro anos mais tarde, o modelo evoluiu para a venda direta: antigas clientes se tornaram consultoras, criando a rede que tornaria a Natura referência no setor.

O contato com o misticismo

O lado espiritual do empresário foi moldado pela mãe. Ainda criança, ele frequentava terreiros em busca de orientação sobre sua suposta mediunidade — condição que, segundo orientadores, precisava ser “desenvolvida”. Nas rodas de incorporação, dizia receber mensagens de um espírito indígena, mas admitia sentir angústia por duvidar da autenticidade da experiência.

Durante a adolescência, Seabra começou a estudar astrologia e numerologia, temas que, anos mais tarde, continuou pesquisando “por curiosidade”, mas sem levar essas práticas para a mesa de decisões corporativas. “Minha religião hoje é prestar serviço em espírito cristão”, assegura.

Conceitos de beleza e responsabilidade social

Desde a concepção da Natura, o executivo questionou padrões estéticos impostos pela indústria, que, segundo ele, associavam beleza à simetria e juventude. Para Seabra, tais mensagens oprimiam principalmente as mulheres dentro de uma lógica patriarcal. “Considero um crime cultural impor estereótipos”, afirmou.

Em 1984, a companhia lançou refis para reduzir resíduos, movimento considerado pioneiro em sustentabilidade no Brasil. A inspiração veio de obras de pensadores como o etologista Konrad Lorenz, autor de “Civilização e Pecado: Os oito erros capitais do homem moderno”, que levou Seabra a enxergar o planeta como organismo vivo.

Digitalização e o “contraponto da espiritualidade”

Em quase seis décadas de gestão, Seabra viu a transformação digital chegar ao setor de beleza. Ele reconhece as oportunidades, mas alerta para o risco de “afastamento do humano consigo mesmo”. Na visão do empresário, tecnologia e solidariedade devem caminhar juntas para garantir equilíbrio nas relações de consumo.

Vida aos 83 anos

Embora siga presente na liderança estratégica da empresa, o executivo dedica parte do tempo livre ao convívio familiar, à leitura e à natureza. Ao citar a máxima de Sêneca — “a vida é longa se você sabe o que fazer com ela” —, diz tentar viver com consciência, valorizando cada dia.

Fé na vida e futuro em construção

Seabra encerra conversas repetindo a frase de Nietzsche, inspirada em Píndaro: “Torna-te quem tu és”. Para ele, o processo continua em eterno gerúndio: “Procuro continuar me tornando”, resume.

  • Quem: Luiz Seabra, fundador da Natura.
  • O quê: relembra criação da empresa e revela trajetória espiritual.
  • Quando: história inicia em 1942 e segue até os dias atuais.
  • Onde: São Paulo; loja original na rua Oscar Freire.
  • Como: ética, venda direta, refis e sustentabilidade.
  • Por quê: compromisso com verdade, bem-estar e evolução humana.

Para entender como a preocupação com ingredientes naturais influencia tendências de beleza, confira também nosso artigo sobre cuidados capilares em Cosméticos.

Gostou de conhecer o lado mais pessoal do criador da Natura? Continue navegando pelo site e descubra outras histórias que conectam beleza, cultura e inovação.

Com informações de Terra

Escrito por:

Priscila Moraes