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Smut: desejo feminino impulsiona boom do gênero

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Smut, termo que define ficção romântica com erotismo explícito, deixou de ser assunto restrito para virar pauta frequente em clubes de leitura e nas redes sociais. Eu acompanho essa tendência há algum tempo e me surpreendi com a velocidade com que o tema conquistou mulheres de idades e perfis diversos.

Entre 2023 e 2026, editoras e livrarias registraram alta expressiva na procura por títulos do gênero, movimento impulsionado por comunidades online como o BookTok. O debate gira em torno de três pontos-chave: quebra de tabus, autoconhecimento e escapismo.

Smut: desejo feminino impulsiona boom do gênero

O que, afinal, é smut?

Originalmente usado no inglês coloquial, “smut” descreve narrativas em que romance e erotismo caminham juntos, sem rodeios nem censura. A grande diferença está no female gaze: obras escritas por mulheres e para mulheres, com foco na experiência feminina do prazer. Especialistas apontam que, em uma sociedade onde a sexualidade feminina ainda encontra barreiras, ler sobre o próprio desejo torna-se ato de emancipação.

Por que o interesse cresce?

Vários fatores explicam a popularidade recente:

  • Quebra de tabu – O tema desperta conversas mais abertas sobre sexualidade, algo relatado por leitoras como Gabi, 30 anos, fã de Elle Kennedy e Ali Hazelwood.
  • Autoconhecimento – Jovens como Nathalia Araújo, 20, encontram nos livros um espaço seguro para entender preferências e limites.
  • Female gaze – Narrativas menos objetificadas, onde a tensão é construída de forma sensível e o foco recai sobre o prazer da protagonista, descreve Maria Antônia, 26.
  • Força do TikTok – Hashtags literárias transformam lançamentos antes de nicho em best-sellers, segundo Duda Giuntoli, ex-livreira.
  • Escapismo – Para leitoras sobrecarregadas, a leitura funciona como válvula de escape do cotidiano, aponta Amanda Rodrigues, 28.

Impactos na rotina das leitoras

Lívia Roberta, 45, relata que o gênero a ajudou a reconectar-se com a própria sensualidade após anos dedicados ao trabalho e à maternidade. Histórias em que o interesse masculino é descrito como intenso e afetuoso oferecem contraponto a dinâmicas reais marcadas por relações superficiais.

Contradições em debate

Nem tudo são flores. Leitoras como Lorraine Cruz, 26, questionam personagens femininas retratadas como ingenuamente frágeis fora do quarto. Já Bruna Amani, 28, observa recorrência de “bilionários salvadores”, o que pode reforçar clichês. Para ambas, usufruir do erotismo exige senso crítico para filtrar estereótipos.

Destaques recentes do gênero

  1. Até que o Verão nos Separe – Meghan Quinn; romance leve com toques de humor.
  2. No Fundo é Amor – Ali Hazelwood; exemplo de slow burn onde a tensão cresce gradualmente.
  3. Série Twisted – Ana Huang; quatro volumes interligados com doses generosas de drama e erotismo.

O futuro do smut no Brasil

Editores observam expansão para públicos LGBTQIA+ e faixas etárias mais altas, reforçando diversidade de personagens e cenários. A tendência é que o female gaze se consolide, enquanto novas autoras brasileiras ganham espaço.

Para quem deseja mergulhar nesse universo, vale equilibrar entretenimento e leitura crítica. Outro passo é acompanhar discussões sobre representatividade e limites no erotismo. Na seção Tendência do nosso site, reunimos análises que ajudam a ampliar esse olhar.

O boom do smut revela uma busca feminina por narrativas onde o prazer é prioridade, sem culpa e sem vergonha. Ao que tudo indica, essa onda ainda está longe de perder força.

Com informações de Steal The Look

Escrito por:

Priscila Moraes