Eu acompanho de perto cada reinvenção de Anitta e, confesso, fiquei impressionada quando ela colocou a ancestralidade no centro do palco.
Anitta raízes brasileiras ganham protagonismo na música e na moda com o lançamento do álbum EQUILIBRIVM, apresentado em 13 de maio de 2026. A artista, conhecida por hits pop de alcance global, agora aposta em espiritualidade, ancestralidade e símbolos afro-brasileiros para construir uma narrativa visual e sonora mais íntima.
Anitta exalta raízes brasileiras em nova era EQUILIBRIVM
Gravado sob o selo da Universal Music Canada, EQUILIBRIVM traz capítulos temáticos — Despacho, Fé e Festa, Deus Mãe e Renascimento — que abordam equilíbrio emocional, cura e conexão espiritual. Cada fase tem figurinos, cenários e coreografias pensados para reforçar a mensagem de reconexão com a cultura nacional.
Moda: da estética pop ao artesanato brasileiro
O contraste com a era Funk Generation é evidente. Se antes Anitta investia em looks maximalistas e alinhados às trends internacionais, agora o styling de André Philipe e Daniel Ueda valoriza:
- Texturas naturais, como palha e fibras vegetais;
- Biojoias criadas a partir de sementes e madeiras brasileiras;
- Técnicas artesanais de crochê, cestaria e escamas metálicas;
- Cores que remetem a elementos da natureza e religiões afro-brasileiras.
Entre as peças-chave estão:
- Vestido de palha da Nalimo, assinado por Day Molina, usado em teaser promocional;
- Vestido azul de crochê da Santa Resistência, que combina textura manual e dramaticidade;
- Saia de escamas metálicas e madeira criada por Amir Slama para o SPFW, que ilustra a capa do álbum;
- Adereços de cabeça em cestaria artesanal desenvolvidos por Victor Hugo Mattos.
Acessórios de marcas regionais, como as peças da Auêra Ateliê de Manaus, reforçam a proposta de descentralizar a moda e dar voz a designers fora do eixo Rio-São Paulo.
Cenografia alinhada à espiritualidade
A ambientação dos clipes também abraça o conceito de brasilidade. Canoas, flutuantes e esculturas do artista paraense Labô Young dialogam com paisagens de rios, florestas e terreiros. A ideia, segundo a própria cantora em entrevistas recentes, é mostrar o Brasil como elemento estrutural — não mero pano de fundo — da identidade artística.
Por que EQUILIBRIVM marca um ponto de virada
Desde 2022, Anitta relatava episódios de burnout e buscava desaceleração. Esse período de introspecção culminou em uma visão mais espiritualizada da carreira, descrita por ela como “processo de cura criativa”. O resultado aparece em:
- Composições que mesclam funk carioca, samba, MPB, reggae e batidas afro;
- Participações de Liniker, Luedji Luna e Rincon Sapiência, celebrando a diversidade da música nacional;
- Figurinos que resgatam técnicas manuais, oferecendo vitrine global para artesãos locais;
- Narrativas visuais que celebram o candomblé e outras expressões da religiosidade afro-brasileira.
Para veículos internacionais como a rádio espanhola LOS40, a nova fase representa um distanciamento consciente do padrão “popstar internacional” em favor de uma identidade autoral e, sobretudo, brasileira.
Recepção e expectativa do público
Nas redes sociais, fãs elogiaram a autenticidade do projeto. Críticos de moda destacam o aporte de designers nacionais em uma vitrine de alcance mundial, enquanto observadores culturais veem na obra um convite ao diálogo sobre ancestralidade e resgate de tradições.
Caso você queira se aprofundar em como técnicas artesanais estão moldando a moda contemporânea, vale conferir nosso artigo sobre tendências que resgatam o feito à mão, descrevendo o impacto do crochê e das fibras naturais nas passarelas.
EQUILIBRIVM ainda está em fase de promoção, mas já sinaliza que pode ser o trabalho mais pessoal de Anitta até aqui — uma fusão entre arte pop e raízes que promete influenciar música, moda e cultura pop nos próximos meses. Acompanhe nossas próximas publicações para entender como essa mudança reverbera em outras áreas criativas.
Com informações de Steal The Look
