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quarta-feira, janeiro 28, 2026
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Luxo no metrô: a mudança inesperada que está dominando 2025

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Eu acompanho lançamentos de moda há anos e fiquei surpresa ao ver a Chanel levar sua coleção Métiers d’Art para as plataformas subterrâneas de Nova York.

Desfile dentro do metrô agita a internet

Na semana passada, a maison colocou terninhos de tweed, camélias e bolsas de US$ 22 mil lado a lado com catracas e grafites. Foi apenas o segundo show de Matthieu Blazy como diretor criativo da grife, mas bastou para dividir opiniões:

  • Clientes tradicionais prometeram abandonar a marca.
  • Geração mais jovem celebrou o ar fresco da apresentação.
  • Analistas viram ali uma jogada calculada para aproximar o luxo da rotina urbana.

Métiers d’Art: herança e reinvenção

Criada em 2002 por Karl Lagerfeld, a coleção anual existe para exaltar bordadeiras, sapateiros, plumassiers e demais artesãos da casa. Até então, o cenário costumava ser palácios e museus. Colocar essa homenagem cem por cento artesanal sob luzes fluorescentes do transporte público quebrou o protocolo – e gerou repercussão imediata.

Quando o cotidiano vira passarela

O choque não é inédito.

  • Tom Ford já usou o metrô em 2019.
  • Lagerfeld transformou um mercado popular em passarela.
  • Em 2025, Gloria Coelho apresentou coleção dentro do metrô de São Paulo.

Campanhas recentes seguiram a mesma lógica: Balenciaga fotografou peças com iPhones; Miu Miu estampou sofás velhos em outdoors. A estética “vida real” ganhou força, mas por quê?

Estratégia que mira o novo consumidor

Relatórios de BOF, WGSN e Bain apontam um público completamente diferente como motor do luxo:

  • Jovens que dificilmente terão casa própria.
  • Trabalham mais, poupam menos.
  • Valorizam experiências rápidas, não patrimônio.

Para eles, comprar um batom, um par de sapatos ou uma bolsa é recompensa emocional, o famoso “little treat” que cabe no bolso – e no feed.

Pequenos mimos, grandes receitas

Focar em itens de entrada significa volume e fidelização sem diluir a exclusividade. É uma estratégia útil para casas que buscam retomar fôlego: vender para quem anda de metrô, divide aluguel e quer um instante de conquista.

O metrô como novo palco do desejo

A coleção mostrou bolsas amassadas segurando porta-café, roupas cheias de movimento e personalidades diversas. Elas funcionam tanto num château francês quanto numa balada em Milão, mas foram pensadas para brilhar no subsolo. No fim, o luxo de 2025 não está no iate: está naquela viagem diária que, por alguns minutos, vira passarela pessoal.

Neide Souza
Escrito por Neide Souza