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domingo, janeiro 25, 2026
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Maximalismo dispara nas passarelas: excesso vira resposta de 2026

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Eu acompanho de perto as apresentações internacionais e fiquei surpresa ao notar como o exagero – em cor, volume e brilho – voltou a dominar os desfiles mais recentes.

Por que o excesso ressurgiu

Entre a saturação do minimalismo neutro e o clima político carregado, estilistas e público se voltam outra vez ao maximalismo. Para parte dos consumidores, o visual exuberante funciona como fuga de um cotidiano “contido”, com pouca cor e representatividade. Para outros, é reação direta ao domínio de microtendências ligadas ao quiet luxury e às paletas sóbrias.

Desfiles que abraçam o desconforto

Na semana de moda masculina, Jonathan Anderson apresentou perucas amarelo-neon, blusas bordadas de paetês e casacos puffer com faux fur. Na passarela, nada precisava parecer coerente: a quebra de expectativa era o recado.
Rick Owens levou ideia semelhante a Paris. Sobre a inspiração, afirmou à Vogue: “Eu estava pensando muito em uniformes policiais. E quando você recebe uma ameaça, você a ridiculariza. É assim que você a processa”. O estilista deixou claro que provocar estranhamento pode ser arma contra o medo coletivo.

Crises históricas sempre geram barulho

Depois da Grande Depressão e dos anos 1980 de ostentação simbólica, o pós-pandemia já havia sinalizado a volta do exagero. Em 2026, com polarização acentuada nos Estados Unidos e reflexos econômicos globais, o maximalismo ressurge mais como reflexo cultural do que como simples tendência.

Cores ácidas, babados e narrativas de fantasia

• Bottega Veneta levou o intrecciato a texturas infladas.
• Dior apostou em casacos de inspiração napoleônica, amplos e teatrais.
• Passarelas inteiras flertaram com tons verde-limão, laranja Aperol e outras cores saturadas.
Os apelidos poéticos “era dos poetas” e “dos piratas” resumem a busca por movimento, babados e volumes dramáticos.

Mais identidade, menos fórmula de rede social

Especialistas enxergam mudança de comportamento: consumidores querem peças que reflitam gostos pessoais, não apenas posts perfeitos no feed. Aposta-se em referências locais, misturas ousadas de texturas e uma liberdade que nunca pediu autorização para existir.

No fim, o maximalismo de 2026 não se prende a um único motivo. Ele nasce do desejo de escapismo, da vontade de protestar e, principalmente, de usar a roupa como espaço de fantasia em tempos incertos.

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