Eu acompanho os desfiles parisienses de perto e me surpreendi ao ver o Museu Picasso, habitual endereço de arte, virar passarela para o encerramento da temporada masculina de inverno 2026 de Jacquemus neste domingo (25).
Retorno a um lugar simbólico
O estilista Simon Porte Jacquemus voltou ao mesmo salão onde, no verão 2018, apresentou a bolsa Chiquito, hoje um ícone da marca. Desta vez, o prédio histórico não serviu apenas de cenário: cada look dialogou diretamente com obras expostas ali.
Obras que viram roupa
- Pablo Picasso – “Portrait of Paulo as Pierrot” (1929)
Inspirou trajes que lembram fantasias de palhaço, com chapéus cônicos finalizados por pompons. - Damien Hirst – série “Spot Painting” (1986-2011)
Deu origem a estampas pontilhadas em vestidos e camisas; bolotas presas por arames parecem flutuar sobre o tecido. - François-Xavier Lalanne – esculturas de ovelha
Transformadas em bolsas que reproduzem forma e textura do animal, roubando a cena na plateia. - Helmut Newton – foto de Paloma Picasso (1973)
Reinterpretada no final do desfile: modelo trajando vestido midi preto, de um ombro só e corte profundo, evocou a imagem da taça que cobre o seio.
Siluetas que olham para os anos 1980
A década marcada por excessos aparece nos ombros bem marcados dos blazers femininos, nos acessórios de cabeça gigantes e nos rabos de cavalo altíssimos.
Propostas para eles
- Ternos fechados até o colarinho
- Calças de alfaiataria em tons vibrantes
- Microshorts com pegada retrô
Alfaiataria como carta de apresentação
O desfile evidenciou a evolução técnica de Jacquemus. Cortes precisos e acabamentos sofisticados reforçaram que o designer vai além dos acessórios virais, firmando-se também na construção de peças de roupa elaboradas.
Imagem: Divulgação

