Eu acompanho investigações policiais há anos e fiquei surpresa quando vi a nova linha de defesa apresentada no caso da PM morta no Brás, na região central de São Paulo. O viúvo, tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, atribuiu à própria filha de 7 anos as marcas encontradas no pescoço da policial.
A Polícia Civil reabriu o inquérito como feminicídio após laudo complementar indicar lesões no rosto e sinais de estrangulamento em Gisele Santana, 32 anos, encontrada baleada na cabeça em 18 de fevereiro. O oficial, porém, sustenta que a menina teria causado os arranhões ao se pendurar no colo da mãe durante um passeio.
PM morta no Brás: tenente-coronel culpa filha por marcas
Depoimento na TV reforça nova versão
Em entrevista à TV Record nesta quarta-feira (11/03/2026), Geraldo Neto, 53 anos, relatou que Gisele levou a filha a um parque de diversões poucos dias antes da morte. Segundo ele, a criança costumava abraçar o pescoço da mãe, entrelaçando as pernas em volta da cintura.
- “Ela segurava com as mãos na nuca da mãe. O laudo fala em marcas na mandíbula e na parte de trás do pescoço”, declarou.
- O tenente-coronel acrescentou: “O documento menciona arranhões de unha. Eu não tenho unhas, eu roo. Já minha filha, apesar de criança, tem unhas longas.”
Questionado sobre a hipótese de violência, ele rejeitou a acusação: “Além de viver o luto, estou sendo chamado de assassino pelo país inteiro por algo que não fiz.”
Cronologia do dia do disparo
O oficial contou ter acordado por volta das 7h. O casal, segundo ele, dormia em quartos separados havia oito meses. Ocasião em que comunicou a Gisele a intenção de se separar.
- Após discussão breve, Gisele teria expulsado o marido do quarto e batido a porta.
- Ele entrou no banheiro para tomar banho e, ainda nu, ouviu um único disparo.
- Ao sair, afirma ter encontrado a esposa caída em uma poça de sangue.
- Em seguida, ligou para Bombeiros, Samu e Polícia Militar, mantendo a porta do apartamento aberta.
Uma vizinha, no entanto, relatou à Polícia que escutou o estampido às 7h28 e registrou a primeira ligação do oficial à PM apenas às 7h57. Confrontado, ele alegou que a moradora “pode ter visto o horário errado, talvez sonolenta”.
Elementos que geraram suspeitas
Socorristas conseguiram reanimar a policial ainda no local. Relatos incluídos no inquérito mostram:
- A arma foi encontrada encaixada na mão de Gisele de forma “incomum” para suicídios.
- O sangue já apresentava coagulação avançada.
- O cartucho da pistola não foi localizado sobre o tapete ou em área próxima.
- Apesar de dizer que estava tomando banho, o tenente-coronel tinha roupas secas e o piso do banheiro estava sem água.
Testemunhas também disseram que, durante a tentativa de salvamento, o oficial permaneceu ao telefone com superiores, demonstrando pouca emoção. Um dos bombeiros fotografou a cena por estranhar a postura.
Banho e produto químico antes da remoção
Às 8h55, Gisele foi retirada do prédio ainda viva. Imagens do circuito interno mostram o tenente-coronel sentado no corredor. Policiais que atenderam à ocorrência relataram que, nesse intervalo, o oficial teria tomado banho, mesmo advertido a não fazê-lo, e retornado “com forte cheiro de produto químico”.
Na entrevista, ele disse que a pressão arterial subiu para 18 por 20 e que “alguém” sugeriu um banho quente para evitar mal-estar.
Limpeza do apartamento horas depois
Três policiais militares entraram no imóvel às 17h48 do mesmo dia para limpar o local, segundo registro do condomínio. A presença do trio pode ter comprometido a preservação de provas.
Geraldo Neto justificou que o apartamento já havia sido liberado pela perícia e que a ordem partiu de seu comandante “para preservar a família de Gisele, que buscaria roupas e pertences pessoais”.
Próximos passos da investigação
Com o novo laudo necroscópico indicando que Gisele pode ter desmaiado antes de ser baleada, a Polícia Civil apura agora se houve feminicídio. O tenente-coronel permanece em liberdade e continua prestando esclarecimentos.
Enquanto se aguarda a conclusão pericial, especialistas lembram que arranhões em regiões como nuca e mandíbula podem indicar agressão prévia, mas também podem ser contaminados por manuseio inadequado da cena do crime.
Para quem se interessa por detalhes de unhas e técnicas de alongamento — tema citado pelo oficial ao mencionar que “não tem unhas” — temos um guia completo sobre formatos e cuidados em unhas decoradas, que ajuda a entender o quanto o tamanho das unhas pode influenciar marcas na pele.
O caso segue sob análise, e novas perícias deverão determinar se a morte da soldado Gisele Santana será confirmada como suicídio ou tipificada como feminicídio.
Continue acompanhando nossas atualizações para entender como a investigação vai avançar e quais provas serão decisivas.
Com informações de O Globo
