InícioTendênciaErika Hilton processa Ratinho e SBT por R$10 mi por transfobia

Erika Hilton processa Ratinho e SBT por R$10 mi por transfobia

-

Eu acompanho o debate sobre direitos LGBTQIA+ há anos e, ao ver que Erika Hilton processa Ratinho e o SBT, percebi a dimensão que essa disputa judicial pode ter para a luta contra a transfobia no Brasil.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) confirmou, nesta quinta-feira (12), a abertura de uma ação civil pública que pede indenização de R$10 milhões contra o apresentador Ratinho e a emissora SBT por declarações consideradas transfóbicas exibidas ao vivo no Programa do Ratinho em 11 de março.

Erika Hilton processa Ratinho e SBT por R$ 10 mi por transfobia

Durante o programa, Ratinho criticou a escolha de Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara. Ele afirmou que “mulher para ser mulher tem de ser mulher” e que a parlamentar “não é mulher, é trans”. Para a congressista, a fala deslegitima a identidade de gênero de todas as mulheres trans e reforça estereótipos misóginos.

O que motivou a ação judicial

Segundo a petição encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF), o apresentador:

  • Invalidou repetidas vezes o gênero da deputada em rede nacional;
  • Associou a definição de mulher exclusivamente à capacidade de reprodução;
  • Gerou danos morais coletivos às pessoas trans e travestis.

Hilton classificou o episódio como um “ataque violento” não apenas a ela, mas a todas as mulheres que não se encaixam no padrão defendido pelo comunicador.

Pedidos de indenização e retratação

O processo solicita:

  1. Pagamento de R$10 milhões em danos morais coletivos, valor a ser destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, com foco em projetos para mulheres trans e travestis em situação de vulnerabilidade.
  2. Retratação pública do apresentador e da emissora, veiculada em horário nobre e com duração equivalente ao espaço usado para a fala discriminatória.

Em publicação na rede X, a parlamentar ressaltou que não receberá qualquer quantia: “O dinheiro vai para todas as mulheres vítimas de violência, trans e cis”.

Investigação no Ministério Público Federal

Paralelamente, a deputada Duda Salabert (PDT-MG) informou ter protocolado representação no MPF para que Ratinho seja investigado por transfobia. Ela classificou o pronunciamento do apresentador como “falas criminosas que atacam toda a comunidade de travestis e transexuais”.

Transfobia é crime no Brasil

Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal equiparou homofobia e transfobia ao crime de racismo, tornando-os inafiançáveis e imprescritíveis. As punições variam de 1 a 5 anos de reclusão, podendo chegar a 30 anos quando houver resultado morte, conforme projeto que tramita no Congresso desde 2025.

Dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) mostram que o Brasil registrou 80 assassinatos de pessoas trans em 2025, mantendo o país no topo do ranking mundial de violência contra essa população.

Próximos passos

O processo ainda será analisado pelo MPF, que decidirá sobre o andamento da ação civil pública. Ratinho e o SBT não se pronunciaram oficialmente até o momento. Caso avance, a disputa judicial pode estabelecer novo parâmetro de responsabilização para discursos de ódio em rede nacional.

Para quem se interessa pela ligação entre representatividade e consumo, vale conferir como as tendências atuais da moda vêm incorporando pautas de identidade de gênero em artigos recentes sobre tendências no nosso site.

Continue acompanhando nossas atualizações para não perder os desdobramentos deste caso e outras pautas de direitos humanos.

Com informações de Diário do Nordeste

Escrito por:

Priscila Moraes