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Alumínio e BHT em desodorantes são seguros, confirmam especialistas

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Alumínio e BHT vêm sendo apontados em redes sociais como ameaças ocultas em desodorantes e outros cosméticos, mas as evidências científicas mostram o contrário. Eu acompanho esse debate há anos e fiquei intrigada com a nova onda de boatos ligando essas substâncias ao câncer. Fui verificar o que dizem dermatologistas, oncologistas e agências regulatórias.

No centro da discussão está a alegação de que os sais de alumínio bloqueariam glândulas sudoríparas e que o antioxidante BHT provocaria tumores. Segundo especialistas ouvidos pelo Estadão Verifica, esses argumentos não encontram respaldo em estudos de qualidade ou em avaliações de risco conduzidas por órgãos internacionais.

Alumínio e BHT em desodorantes são seguros, confirmam especialistas

Agências como a European Chemicals Agency (ECHA), o Comitê Científico de Segurança do Consumidor da União Europeia (SCCS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são categóricas: dentro dos limites atualmente fixados para produtos de higiene pessoal, as duas substâncias não apresentam perigo à saúde humana.

Por que o alumínio é usado em antitranspirantes?

Os compostos de alumínio, entre eles o cloridrato de alumínio, são empregados como ativo antitranspirante. Eles formam um gel temporário que reduz o suor nas axilas. Embora a pele dessa região seja mais fina e absorva ingredientes de forma relativamente maior que outras partes do corpo, a dermatologista Rosana Lazzarini, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), esclarece que esses sais não alcançam a corrente sanguínea.

  • Atuam superficialmente, criando uma barreira parcial nos ductos sudoríparos.
  • São eliminados naturalmente com a descamação da pele ou durante o banho.
  • Têm concentrações máximas bem abaixo do que provocaria toxicidade sistêmica.

Nas concentrações aprovadas, o SCCS calcula uma margem de segurança considerada confortável para uso diário, inclusive em pessoas com pele sensível.

O papel do BHT como antioxidante

O butil-hidroxitolueno (BHT) é um antioxidante sintético que impede a oxidação de óleos e fragrâncias, prolongando a vida útil do cosmético. Polêmicas surgiram após estudos antigos em ratos expostos a doses muito altas da molécula. “A extrapolação desses resultados para humanos que usam cosméticos foi precipitada”, afirma o toxicologista David Clark, citando o Netherlands Cohort Study, com 120 mil participantes, que não encontrou relação entre ingestão alimentar de antioxidantes sintéticos — entre eles o BHT — e câncer gástrico.

Quando o foco é uso tópico, a análise do Cosmetic Ingredient Review (CIR), entidade apoiada pela Food and Drug Administration (FDA), concluiu que o BHT é seguro nas frações empregadas em cremes, maquiagens e desodorantes. O parecer do CIR é acompanhado de perto pela Anvisa, que não inclui o antioxidante na lista de substâncias proibidas ou com restrição especial (RDC 529/2021 e RDC 530/2021).

Como as agências definem limites seguros

Para liberar qualquer ingrediente, reguladores consideram:

  1. Dose absorvida pela pele.
  2. Velocidade de metabolização e excreção.
  3. Estudos toxicológicos em animais e humanos.
  4. Exposição cumulativa diária — uso de vários produtos contendo o mesmo agente.

Somente após testar cenários realistas de exposição é que se estabelecem as faixas de concentração permitidas. Alumínio e BHT passaram por esse crivo ao longo de décadas, reforça a pesquisadora Veridiana Pessoa, especialista em regulação de cosméticos.

Desinformação nas redes sociais

Postagens virais sugerem que o alumínio causaria câncer de mama por supostamente impedir a eliminação de toxinas pelo suor. A hipótese já foi investigada em dezenas de estudos epidemiológicos, sem comprovação. O Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos (NCI) destaca não haver evidência de correlação entre antitranspirantes e tumores mamários.

Outra afirmação recorrente é a de que o BHT seria “bioacumulativo” e disruptor endócrino. O SCCS avaliou essa possibilidade e concluiu não existirem dados que sustentem tal classificação.

O que o consumidor deve observar no rótulo

Embora os produtos à venda no mercado sigam padrões de segurança, Lazzarini lembra que todo cosmético pode causar dermatite de contato em pessoas alérgicas a fragrâncias ou conservantes. Ela recomenda:

  • Testar o desodorante em pequena área da pele antes de uso contínuo.
  • Preferir fórmulas sem álcool se houver sensibilidade.
  • Consultar dermatologista diante de irritação persistente.

Para quem busca opções sem alumínio, existem deodorants que apenas neutralizam odor; porém, eles não reduzem a sudorese.

Discutir ingredientes é saudável, mas é essencial basear-se em evidências revisadas por pares e em posicionamentos oficiais. As listas de ingredientes aprovados estão disponíveis nos sites da Anvisa e da Comissão Europeia.

Se você tem interesse em entender outros ativos seguros — e em quais concentrações eles realmente funcionam — confira nosso conteúdo detalhado em Cosméticos e aprofunde o conhecimento antes da próxima compra.

Em resumo, os dados atuais demonstram que alumínio e BHT, nos níveis presentes em desodorantes e cosméticos, não oferecem risco comprovado à saúde humana. Continue navegando pelo site para acompanhar análises críticas sobre beleza e cuidados pessoais.

Com informações de Estadão

Escrito por:

Priscila Moraes