Nova York exige aulas de cuidado para cabelo cacheado e, como repórter que acompanha de perto as discussões sobre diversidade no setor de beleza, fiquei impressionada ao ver o alcance dessa nova exigência aprovada pelo estado.
A partir de setembro de 2026, todas as escolas de cosmetologia e cabeleireiro de Nova York deverão incluir treinamento específico para cuidar de fios cacheados, crespos e com textura natural. A decisão, publicada em março de 2026 pelo Departamento de Estado, tenta pôr fim a relatos de discriminação racial em salões que não sabiam lidar com esse tipo de cabelo.
Nova York exige aulas de cuidado para cabelo cacheado
O que muda no currículo das escolas
O pacote de alterações soma 48 horas obrigatórias dedicadas exclusivamente a texturas naturais, distribuídas da seguinte forma:
- 10 horas de análise capilar, abordando diferentes espessuras, curvaturas e porosidades;
- 20 horas focadas em cuidados e técnicas de estilização para cabelos naturais;
- 18 horas voltadas apenas ao styling de fios texturizados.
Esses conteúdos se integram às atuais grades, que variam de 300 h a 1.000 h, sem alterar a carga total autorizada pelo estado. A mudança vale somente para novos estudantes; profissionais já licenciados poderão renovar seus registros sem aulas extras.
Por que a medida é considerada decisiva
O estado respondeu a sucessivos casos de clientes negros que tiveram o serviço recusado ou o cabelo danificado por falta de capacitação técnica. Uma das denúncias que ganhou repercussão envolveu uma unidade da Ulta Beauty e culminou em processo judicial por discriminação em 2023.
A deputada estadual Michaelle Solages e o senador Jamaal Bailey redigiram o projeto de lei naquele mesmo ano, destacando que “o profissional atrás da cadeira precisa entender o seu cabelo”. Para eles, universalizar o ensino de texturas naturais é passo essencial para que todos os nova-iorquinos recebam atendimento digno e qualificado.
Como será a implementação
O Departamento de Estado de Nova York publicou a regulamentação em março de 2026. As instituições têm até o início do outono local — setembro — para atualizar apostilas, treinar instrutores e comprovar a inclusão dos novos módulos durante as inspeções regulares.
Reação dos players do setor
Em declaração oficial, Solages celebrou: “Tenho cabelo cacheado. Nem todo mundo possui fios lisos. Esse treinamento beneficiará quem sempre ficou à margem”. Já associações de escolas de beleza apoiaram a adaptação, mas pedem incentivos para aquisição de materiais e contratação de especialistas.
Impacto esperado
A iniciativa busca reduzir desigualdades historicamente relatadas por consumidores com cabelo afro-texturizado. A expectativa do legislativo é que, em poucos anos, todos os pontos de serviço — de salões de bairro a grandes redes — contem com pelo menos um profissional apto a manusear qualquer tipo de fio.
Próximos passos
- Escolas enviam novos planos de curso ao Departamento de Estado até julho de 2026;
- Instrutores passam por reciclagem nos meses seguintes;
- Primeira turma sob a nova grade inicia as aulas em setembro de 2026;
- Relatórios anuais avaliarão impacto na experiência dos clientes e na empregabilidade dos formandos.
Para quem gosta de acompanhar tendências e cuidados específicos para cachos, vale conferir o conteúdo da categoria Cachos, repleto de guias sobre definição, hidratação e produtos adequados.
Com a obrigatoriedade dessas 48 horas extras, Nova York dá um passo concreto rumo à prestação de serviços de beleza verdadeiramente inclusivos. Continue navegando pelo nosso site e descubra outras iniciativas que estão transformando o universo dos cabelos.
Com informações de National Today
