Nova York exige ensino de cabelos cacheados nos salões ao atualizar, em 18 de março, as regras de licenciamento de cosmetologia: agora, nenhum aluno recebe o diploma sem provar domínio em fios do liso ao 4C.
Eu acompanho a pauta de inclusão no setor de beleza e confesso que me surpreendi positivamente ao ver o estado agir para transformar a teoria em prática dentro das salas de aula.
Nova York exige ensino de cabelos cacheados nos salões
O novo regulamento, publicado no New York State Register, preenche uma lacuna histórica que deixava consumidores negros e pardos sem atendimento qualificado. A legislação torna obrigatória a instrução sobre:
- Reconhecimento do padrão de cachos para avaliar densidade e textura;
- Segurança química na aplicação de relaxantes, permanentes e colorações em fios frágeis;
- Técnicas de styling, incluindo tranças, twists e outros penteados protetores.
Como a mudança será aplicada nas escolas
Para receber a licença estadual, o estudante deverá demonstrar, em exame prático, habilidade com todos os tipos de cabelo, do liso ao coily. Cursos que não se adequarem poderão ser multados ou perder a autorização de funcionamento, segundo o Departamento de Estado.
CROWN Act ganha reforço
As diretrizes funcionam como mecanismo de execução da versão nova-iorquina do CROWN Act, lei de 2019 que proíbe discriminação por textura ou estilo natural de cabelo em ambientes de trabalho e escolas. Até então, faltavam profissionais capacitados para garantir o direito previsto no papel.
Com a inclusão do módulo de cabelos texturizados no currículo, o governo estadual estima que todo residente possa entrar em qualquer salão licenciado e receber tratamento digno, sem precisar buscar especialistas distantes ou pagar valores elevados.
Movimento nacional por igualdade capilar
Nova York não está sozinha. A Pensilvânia se tornou, em novembro de 2025, o 28º estado a aprovar seu próprio CROWN Act. O governador Josh Shapiro celebrou a lei afirmando que “a verdadeira liberdade significa ser respeitado por quem você é — isso inclui seu cabelo”.
Especialistas veem tendência de expansão. Caso mais estados adotem normas semelhantes, as principais redes de franquias de beleza deverão reformular programas de treinamento em âmbito nacional, gerando impacto direto na experiência do cliente.
Impacto para o mercado de beleza
Segundo analistas da consultoria NielsenIQ, produtos para cabelos cacheados movimentaram US$ 2,3 bilhões nos Estados Unidos em 2025, crescimento de 10 % sobre 2024. A formação de profissionais aptos a lidar com essa demanda pode:
- Aumentar a oferta de serviços específicos para fios crespos;
- Estimular marcas a investir em linhas de tratamento profissional;
- Reduzir reclamações de danos químicos e processuais, minimizando riscos jurídicos para salões.
Próximos passos
As escolas de cosmetologia de Nova York têm até o próximo período letivo para ajustar planos de aula, adquirir manequins de cabelo crespo e contratar instrutores especializados. O conselho estadual promete inspeções surpresa a partir de 2027 para verificar a implantação.
Enquanto isso, organizações comunitárias planejam monitorar se a mudança reflete em atendimento mais diverso. Caso a resposta seja positiva, ativistas pretendem pressionar o governo federal por diretrizes semelhantes em todo o país.
Para quem deseja entender melhor o universo dos cachos, vale conferir nosso guia atualizado sobre finalização de fios 3A a 4C, disponível em categoria Cachos do Moda de Subculturas.
Com essa iniciativa, Nova York dá um passo decisivo rumo a um mercado de beleza mais inclusivo, onde cada tipo de cabelo merece — e recebe — cuidado profissional adequado.
Com informações de Black Enterprise
