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Alumínio e BHT em desodorantes são seguros, dizem especialistas

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Alumínio e BHT em desodorantes sempre despertaram curiosidade, mas eu, que acompanho debates sobre segurança cosmética, fiquei surpresa ao ver um vídeo viral afirmar que essas substâncias seriam carcinogênicas. Fui atrás dos dados para entender o que realmente está confirmado pela ciência.

Especialistas ouvidos por veículos de verificação de fatos garantem: não existe comprovação de que as concentrações autorizadas de alumínio e BHT causem danos à saúde humana. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e comitês científicos internacionais classificam ambos os componentes como seguros para uso em cosméticos.

Alumínio e BHT em desodorantes são seguros, dizem especialistas

O que motivou a dúvida

O rumor nasceu de um vídeo em que um homem alega que “a maioria dos desodorantes está cheia de alumínio e BHT” e que esses ingredientes penetrariam a pele até a corrente sanguínea, provocando câncer. O material circulou nas redes sociais e acumulou milhares de visualizações.

Quem respondeu às alegações

O Estadão Verifica consultou três fontes independentes para analisar as afirmações:

  • Otávio Clark – médico oncologista e especialista em Medicina Baseada em Evidências;
  • Rosana Lazzarini – dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD);
  • Veridiana de Almeida – consultora em Toxicologia Cosmética e Ambiental e doutoranda em Ciências da Saúde.

Os três concordam que não há estudos científicos que comprovem risco à saúde humana nas concentrações de alumínio e BHT permitidas em cosméticos.

Como as agências regulam o uso das substâncias

No Brasil, a Anvisa define limites máximos para sais de alumínio em desodorantes e antitranspirantes na Resolução RDC nº 530/2021. Para o BHT, não existe restrição quantitativa, mas a agência exige que a indústria prove a segurança de cada fórmula. A Anvisa também informa não haver proibição para o uso conjunto de alumínio e BHT no mesmo produto.

Na União Europeia, o Comitê Científico de Segurança do Consumidor (SCCS) publicou “opiniões finais” que consideram adequada a margem de segurança de ambos os compostos, base para o rigoroso Regulamento (EC) nº 1223/2009 sobre cosméticos.

Alumínio: função e evidências de segurança

Os sais de alumínio estão nos antitranspirantes desde 1916. Eles formam um gel temporário que bloqueia parcialmente as glândulas sudoríparas, reduzindo o fluxo de suor. Segundo Veridiana de Almeida, trata-se de um dos ingredientes mais estudados da indústria:

  1. São avaliados por comitês científicos internacionais há décadas.
  2. Dados toxicológicos indicam que a penetração cutânea é mínima e não alcança a corrente sanguínea.
  3. Os limites atuais oferecem ampla margem de segurança.

Rosana Lazzarini acrescenta que a pele das axilas, embora mais fina, possui barreiras naturais e células imunológicas capazes de reter substâncias nas camadas superficiais.

BHT: antioxidante amplamente usado

O butil-hidroxitolueno (BHT) funciona como antioxidante, evitando a oxidação de óleos e fragrâncias. Está presente em alimentos, medicamentos e cosméticos. O grupo Cosmetic Ingredient Review (CIR), apoiado pela FDA norte-americana, concluiu ser seguro nas quantidades aplicadas atualmente.

Não há relação comprovada com câncer

Alguns estudos em ratos, usando doses muito superiores às presentes nos cosméticos, observaram tumores; entretanto, outros trabalhos identificaram até efeito protetor. Em humanos, a evidência mais robusta vem do Netherlands Cohort Study, com cerca de 120 mil participantes, que não encontrou associação entre ingestão de antioxidantes sintéticos (incluindo BHT) e câncer gástrico.

A Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (Iarc) também relata que não há dados suficientes para classificar o BHT como potencial carcinógeno em humanos.

Orientação prática para o consumidor

Na rotina de cuidados pessoais, seguir algumas recomendações simples garante tranquilidade:

  • Verifique se o desodorante possui registro na Anvisa (número do processo ou notificação).
  • Respeite o modo de uso indicado pelo fabricante.
  • Em caso de irritação, suspenda o produto e consulte um dermatologista.
  • Grávidas, lactantes e pessoas com pele sensível devem priorizar fórmulas hipoalergênicas, ainda que não exista evidência de risco sistêmico.

Em síntese, não há motivos científicos para eliminar produtos com alumínio ou BHT da nécessaire. As concentrações em desodorantes são monitoradas por órgãos regulatórios e seguem parâmetros internacionais de segurança.

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Com informações de Terra

Escrito por:

Priscila Moraes