Banco de dados de beleza acelera criação de cosméticos — a expressão resume a aposta do Grupo L’Oréal em Inteligência Artificial (IA) para desenvolver batons, perfumes e tratamentos capilares em ritmo inédito.
Eu acompanho de perto as inovações em pesquisa cosmética e fiquei impressionada ao ver como 27 mil terabytes de informações estão mudando o jogo para quem cria fórmulas no setor de beleza.
Banco de dados de beleza acelera criação de cosméticos
A multinacional francesa, presente no Brasil desde 1959, afirma deter o maior acervo mundial sobre cabelo, pele e couro cabeludo. As informações vão de parâmetros moleculares a avaliações de consumidores, permitindo que algoritmos proponham combinações de ingredientes que antes escapavam até aos químicos mais experientes.
IA encurta caminho entre ideia e prateleira
De acordo com Barbara Lavernos, Deputy CEO responsável por Pesquisa, Inovação e Tecnologia, o sistema de IA “ouve” a meta do cientista — por exemplo, eliminar o frizz — e devolve diferentes rotas de formulação. O resultado é mensurável:
- Mais substâncias testadas em 12 meses do que nos cinco anos anteriores;
- Redução média de 40 % no tempo de desenvolvimento de novos ativos;
- Molécula clareadora Melasyl levou 12 anos para chegar ao mercado; o composto antiqueda Aminexil Regen precisou de apenas 7.
Mesmo com a automação, a etapa sensorial permanece humana. “Sempre produzimos protótipos e avaliamos textura, cheiro e sensação com consumidores”, reforça Lavernos.
Gêmeos digitais testam fios sem tesoura
Uma das frentes mais promissoras é a criação de gêmeos digitais de cabelo. O modelo virtual reproduz oito tipos de fios existentes no mundo — todos presentes no Brasil — e permite simular reações a novos ingredientes sem recorrer, de início, ao laboratório físico. Somente em 2025, essa tecnologia gerou o equivalente a cinco anos de triagem de moléculas capilares.
Longevidade da pele entra no radar
O banco de dados de beleza também sustenta uma “nuvem de IA” com mais de 250 biomarcadores cutâneos. O objetivo é antecipar e interceptar sinais de envelhecimento em nível celular. Para isso, o grupo mobiliza 4 mil cientistas e 8 mil especialistas em dados, tecnologia e áreas digitais, além de parcerias com a IBM para treinar modelos preditivos.
Brasil vira laboratório a céu aberto
No Rio de Janeiro, na Ilha de Bom Jesus, funciona um dos sete centros globais de pesquisa do grupo: o L’Oréal Research & Innovation Center, onde cerca de 100 pesquisadores aproveitam a diversidade capilar e o clima úmido e quente para testar fórmulas de alto desempenho.
A companhia lidera ainda o projeto Climaderma, em parceria com a Universidade Federal de Itajubá (Unifei). Entre 2026 e 2028, o estudo vai medir como fatores ambientais afetam cabelo e pele em oito cidades latino-americanas:
- Ilhéus (BA)
- Itajubá (MG)
- Mossoró (RN)
- Santarém (PA)
- São Paulo (SP)
- La Paz (Bolívia)
- Arica (Chile)
- Chaco (Paraguai)
Radiação UV, poluição, temperatura e umidade serão monitoradas para correlacionar esses agentes a envelhecimento precoce, sensibilidade cutânea e fragilidade capilar. “As mudanças climáticas pressionam saúde, beleza e bem-estar”, alerta Lavernos.
Por que isso importa para o consumidor?
Ao combinar o maior banco de dados de beleza do planeta com modelos de IA, a indústria encurta o tempo entre a descoberta de uma molécula e a chegada do produto à prateleira. Isso significa soluções mais rápidas para frizz, queda de cabelo, manchas e sinais de envelhecimento — todas validadas em condições reais, como as do clima brasileiro.
Quer saber como outras tendências de formulação estão mexendo com o mercado? Confira nosso guia completo em cosméticos e fique por dentro das novidades.
Com avanços que unem ciência de dados, IA e diversidade climática, o Brasil consolida sua posição como polo estratégico para o desenvolvimento de produtos de beleza de próxima geração. Continue acompanhando nossas publicações para descobrir como essas inovações chegarão, em breve, ao seu nécessaire.
Com informações de Galileu
