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Cosméticos e dermocosméticos: saiba diferenciar os produtos

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Cosméticos e dermocosméticos sempre fizeram parte da minha rotina de apuração jornalística, e confesso que ainda me surpreendo com o quanto as pessoas se confundem na hora de escolher entre um e outro.

Esse dilema vai muito além das embalagens atraentes. Ele envolve regulamentação da Anvisa, eficácia comprovada e, principalmente, a saúde de pele e couro cabeludo.

Cosméticos e dermocosméticos: saiba diferenciar os produtos

O Brasil figura como o terceiro maior consumidor de itens de beleza no planeta e lança, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o quarto maior volume de novidades do setor. Em média, os brasileiros usam seis categorias de produtos de higiene e beleza a cada semana, revela estudo da Worldpanel by Numerator que projeta tendências até 2026.

Como a Anvisa classifica os produtos de beleza

Embora o mercado use largamente o termo “dermocosmético”, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária não reconhece essa nomenclatura na legislação. O órgão agrupa tudo sob “produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes”, divididos em dois graus:

  • Grau 1: cosméticos com função basicamente sensorial, sem necessidade de comprovar eficácia clínica.
  • Grau 2: itens que exigem estudos de efetividade, por conter ativos de ação específica – categoria onde se encaixam os produtos popularmente chamados de dermocosméticos.

Segundo a professora Claudete Carvalho, do curso de Estética e Cosmética da FADERGS, a diferença prática está na profundidade de atuação: “O dermocosmético age em camadas mais profundas da pele ou do couro cabeludo, graças a ativos com base científica. Já o cosmético tradicional tem ação superficial”, resume.

Por que a indicação profissional é decisiva

A fama dos dermocosméticos ganhou força com as redes sociais. Vídeos de “skincare” viralizaram, principalmente entre adolescentes, incentivando a compra de produtos que muitas vezes não correspondem às necessidades dessa faixa etária. A docente lembra de um caso no TikTok, onde jovens de 14 anos passaram a usar retinoides – substâncias que aceleram a renovação celular e estimulam colágeno – e acabaram com ressecamento, descamação e irritação.

Reações adversas não se limitam ao rosto. Fórmulas específicas para couro cabeludo podem deflagrar sensibilidade, caspa ou até piorar quadros de dermatite seborreica, quando escolhidas sem avaliação médica ou de um profissional de estética.

Principais ativos procurados pelos consumidores

Com a oferta cada vez maior, o consumidor passou a buscar ingredientes específicos, na crença de que “vitamina C” ou “ácido hialurônico” resolvem tudo. Para evitar erros, especialistas listam cuidados essenciais:

  1. Verifique se o produto é Grau 1 ou Grau 2 no rótulo.
  2. Entenda a indicação do ativo – antiacne, antioleosidade, clareador, fotoproteção etc.
  3. Adapte a rotina conforme a fase da pele; tratamentos de acne, por exemplo, exigem ajustes periódicos.
  4. Busque orientação de dermatologista, esteticista ou farmacêutico habilitado antes de combinar fórmulas.

Quando usar cosmético e quando optar por dermocosmético

A escolha depende do objetivo:

  • Hidratação diária, perfumação ou limpeza básica: cosméticos comuns costumam ser suficientes.
  • Controle de oleosidade, manchas, rugas ou caspa: dermocosméticos de Grau 2 mostram maior eficácia, mas exigem supervisão profissional.

É importante notar que nem sempre o produto mais caro é o mais adequado. Sem a orientação correta, o consumidor corre o risco de investir em itens que ficarão encostados ou, pior, provocarão efeitos contrários ao esperado.

Dicas rápidas para uma rotina segura de cuidados

Para fechar, confira um passo a passo recomendado por especialistas:

  • 1. Diagnóstico: avalie tipo de pele e condições específicas.
  • 2. Seleção: escolha ativos compatíveis e concentre-se em poucas necessidades por vez.
  • 3. Teste de sensibilidade: aplique pequena quantidade na região interna do antebraço e aguarde 24 horas.
  • 4. Introdução gradual: inicie uso em dias alternados, principalmente ácidos e retinoides.
  • 5. Acompanhamento: retorne ao profissional a cada 30 ou 60 dias para ajustes.

Adotar esses cuidados reduz o risco de alergias, descamações e gastos desnecessários. Lembre-se: a pele é um órgão vital e merece atenção criteriosa.

Para seguir atualizado sobre o universo da beleza, confira também o nosso conteúdo sobre tendências e lançamentos em cosméticos, que aprofunda o debate sobre ativos inovadores.

Em resumo, entender a diferença entre cosméticos e dermocosméticos protege sua pele, seu bolso e garante uma rotina de autocuidado realmente eficaz. Continue navegando no site e descubra mais guias práticos para turbinar sua beleza com segurança.

Com informações de O Antagonista

Escrito por:

Priscila Moraes