Cearense única mulher na Olimpíada de Física, Maria Beatriz Ximenes, 16, inicia em 2026 a fase mais desafiadora de sua trajetória acadêmica: representar o Brasil na Olimpíada Ibero-Americana de Física, marcada para o segundo semestre, em João Pessoa.
Eu acompanho de perto o cenário das competições científicas e confesso ter ficado impressionada quando soube que, entre os quatro classificados do País, apenas uma vaga foi ocupada por mulher. Essa é a vaga de Mabe, como a estudante prefere ser chamada.
Cearense faz história como única mulher da equipe brasileira na Olimpíada de Física
A adolescente cursa o 3º ano do ensino médio e comemora o feito, mas relata que a jornada foi solitária. No início dos treinamentos, outra garota dividia a sala com ela, porém desistiu diante de um ambiente majoritariamente masculino.
Dedicação intensa para superar “muros invisíveis”
Mabe acorda cedo, estuda antes das aulas regulares e retoma os livros logo após o término das atividades escolares. “Paro apenas para comer ou durante o trajeto para casa”, resume. Além de abdicar de lazeres como a pintura, atividade de que gostava no fundamental, ela aprendeu a lidar com a pressão psicológica de competir em alto nível.
- Rotina de estudos diária: mais de 6 h fora da escola
- Pais inicialmente contra a sobrecarga; hoje, apoiadores
- Um dia livre por semana para evitar esgotamento
Medalhas que abriram caminho internacional
Natural de Sobral, a jovem se mudou para Fortaleza em 2024 para ter acesso a um centro de preparação especializado. A mudança rendeu frutos: medalhas em torneios nacionais e uma prata na Olimpíada Brasileira de Física, colocação que lhe garantiu a 12ª posição no ranking e a vaga na seleção.
O professor Cadu Farias, responsável pelo treinamento, elogia a autonomia acadêmica da aluna: “Ela identifica sozinha os tópicos em que precisa avançar. É um nível de maturidade mais comum em alunos de graduação”.
Referências femininas e planos para o futuro
Inspirada em Marie Curie, Mabe pretende cursar Ciência da Computação e atuar com Computação Quântica. Ela vê na olimpíada científica uma ponte para universidades de ponta, como a USP, que reserva vagas diretas a medalhistas, ou instituições estrangeiras que valorizam premiações internacionais.
“Quero que outras meninas segurem minha mão”
Apesar do orgulho, a estudante lamenta a falta de representatividade feminina: “Às vezes parece que não vai caber a gente ali. Precisamos lembrar todos os dias que somos tão capazes quanto os meninos”. Ela espera que sua conquista motive outras garotas a entrarem e permanecerem nas ciências exatas.
Olimpíada Ibero-Americana de 2026
A edição deste ano será realizada em João Pessoa, entre setembro e outubro, reunindo estudantes de mais de 20 países de língua portuguesa e espanhola. O torneio aborda conteúdos universitários adaptados ao ensino médio e pode servir de passaporte para bolsas de estudo e reconhecimentos internacionais.
Mabe sabe que o caminho continuará exigente, mas assume o compromisso: “Escolhi continuar. Não seria justo com meu eu do passado, nem com o do futuro, se desistisse agora”.
Para quem gosta de acompanhar histórias de superação, vale ver como a criatividade também influencia a autoconfiança em outras áreas; confira em nosso artigo sobre tendências de cores.
Fatos como o de Maria Beatriz mostram que barreiras podem ser rompidas quando talento e persistência se encontram. Continue navegando pelo site para descobrir mais narrativas inspiradoras.
Com informações de Diário do Nordeste
Priscila Moraes
