Clube de cabelo natural virou sinônimo de autoestima na Patrick Henry Preparatory School, em Harlem. Eu acompanho iniciativas de representatividade nas escolas e fiquei impressionada ao descobrir como um simples encontro pós-aula tem transformado a relação de meninas negras com a própria imagem.
A idealizadora é a professora do 4º ano Jade Lambert, que em outubro de 2025 abriu as portas da sala de aula para algo além do currículo tradicional: um espaço onde cuidar dos fios é também cuidar da identidade.
Clube de Cabelo Natural ensina autoestima a alunas em Harlem
O projeto começou pequeno, mas hoje reúne 15 meninas negras e latinas duas vezes por semana, em sessões de 90 minutos. Voltado a estudantes do 4º ao 8º ano, o clube combina prática capilar, história e muita conversa franca sobre autoreconhecimento.
Como tudo começou
Crescida na Carolina do Sul e criada apenas pelo pai, Lambert lembra que foi alvo de piadas por causa do volume do cabelo. Sem uma figura materna em casa, aprendeu sozinha técnicas de lavagem, finalização e, aos poucos, transformou o que antes era motivo de vergonha em fonte de orgulho — e até de renda, já que hoje faz penteados profissionais fora do horário escolar.
“Eu sei exatamente como elas se sentem e não quero que passem pelo mesmo,” contou a educadora à CBS News.
O que as alunas aprendem
- Identificar o próprio tipo de cacho ou textura;
- Montar rotinas de lavagem e hidratação adequadas;
- Desembaraçar sem quebrar os fios;
- Criar e manter estilos protetores, como tranças e twists;
- Entender o contexto histórico do cabelo afro e a luta contra discriminação.
Cabelo, política e pertencimento
Além de ensinar técnicas, Lambert inclui no currículo a discussão sobre preconceito. Em Nova York, práticas discriminatórias ligadas a cabelos naturais foram oficialmente proibidas em 2019, com a aprovação da CROWN Act. Mesmo assim, pesquisas mostram que crianças negras ainda são mais propensas a sofrer bullying por causa dos penteados.
Ao conhecer essa realidade, as participantes aprendem que o próprio cabelo não é problema — o problema é o olhar preconceituoso que a sociedade insiste em manter. O resultado aparece na postura: meninas que antes escondiam os fios agora exibem tranças, puffs ou twists com confiança.
Impacto dentro e fora da escola
Os encontros já ultrapassaram os limites da sala. Pais relatam que as filhas passaram a pedir produtos adequados, a assumir texturas naturais em passeios de fim de semana e até a ensinar irmãos menores. Para Lambert, cada novo penteado bem-sucedido é uma pequena vitória contra décadas de estereótipos que rotulavam cabelos crespos como “desarrumados” ou “pouco profissionais”.
“Cuidar de cabelo natural exige tempo, conhecimento e intenção,” reforça a professora. “Quando a aluna entende isso, percebe que o que traz na cabeça é, na verdade, uma coroa.”
Agenda e próximos passos
O clube segue ativo, com planos de ampliar o número de vagas no próximo semestre letivo. Há conversas para integrar famílias em workshops mensais, criando uma rede de apoio que ultrapasse os muros da escola.
Se você se interessa por cuidados capilares, vale conferir também dicas de rotina para cachos na seção de cachos do nosso site em https://modadesubculturas.com.br/cachos.
O movimento iniciado por Jade Lambert mostra que investir em representatividade dentro da sala de aula vai muito além de notas. Trata-se de ensinar crianças a se reconhecer, se respeitar e ocupar os espaços com a cabeça — literalmente — erguida.
Com informações de Harlem World Magazine
