Eu acompanho de perto o avanço do vestuário artesanal e percebi o quanto o cropped de flores em crochê conquistou espaço nas últimas semanas. A peça, formada por quadrados com pétalas em relevo, reúne nostalgia e informação de moda de forma inédita.
Quadrados que ganham volume
Cada módulo, conhecido entre crocheteiras como flower square, traz uma flor central levantada que confere profundidade ao tecido. Ao transformar o tradicional quadrado em “mini escultura” têxtil, o top resulta em um visual impossível de reproduzir com malhas industriais.
Montagem sem falhas
O caimento contemporâneo depende da ligação exata entre os módulos. A costura passa apenas pelas alças internas dos pontos, por dentro, usando agulha de tapeçaria. O método deixa a superfície plana e o desenho livre de marcações, detalhe que faz diferença no ombro e no busto.
Acabamentos que blindam a peça
• Contorno estrutural: uma carreira de pontos baixos percorre decote e barra, evitando que o tecido ceda ao peso do relevo.
• Alças inteligentes: construídas com pontos densos ou reforço interno, elas mantêm o comprimento mesmo após horas de uso.
Fios que sustentam o relevo
O algodão mercerizado domina a receita graças à torção firme, garantindo pétalas firmes mesmo depois da lavagem. Criar contraste entre o centro acetinado da flor e as bordas foscas adiciona brilho pontual, mas todos os fios precisam ter o mesmo Tex para que os quadrados se alinhem milimetricamente.
Versatilidade no guarda-roupa
A leitura final da peça muda de acordo com as combinações:
- Urbano – calça de alfaiataria de cintura alta + blazer alongado.
- Romântico – saia midi fluida em tom neutro, em que o crochê vira protagonista.
- Moderno – jeans claro e tênis, quebrando o ar delicado para passeios ao ar livre.
Graças ao planejamento modular, ao reforço nos pontos e à escolha correta do fio, o cropped de flores em crochê transita do boho ao minimalismo urbano, mantendo a estrutura intacta e o relevo em destaque.
Imagem: Júlio Cezar Lisboa

