Eu acompanho de perto o avanço da moda artesanal e me surpreendi ao ver como o cardigã gigante saiu do sofá para ocupar vitrines de luxo. Em 2026, o volume é intencional e pensado para circular pelas ruas, não para ficar preso no cabide.
Fios que sustentam o volume
A primeira decisão crucial é a matéria-prima. Lã acrílica pura, comum nos anos anteriores, perdeu espaço para misturas inteligentes:
- Algodão com poliamida
- Lã combinada a fibras de bambu
Essas blends oferecem “memória” ao tecido, qualidade que faz o casaco voltar ao formato original depois do uso. Outra aposta são fios tubulares leves, como náutico ou malha extrafina, que entregam volume visual sem sobrecarregar a coluna de quem veste.
Construção top-down ganha espaço
Modelagem de cima para baixo tornou-se padrão. Ao começar pelo pescoço, artesãos aplicam aumentos graduais que respeitam a anatomia dos ombros. Carreiras encurtadas na nuca formam inclinação natural e evitam que a peça escorregue para trás, problema comum em tamanhos maxi.
Pontos estratégicos contra o efeito saco
Gravidade é inimiga do crochê pesado. Para driblar o chamado “efeito saco”, os projetos combinam:
- Ponto baixo centrado ou ponto barra em palas e punhos para firmeza elástica;
- Pontos fantasia vazados no corpo, reduzindo peso geral;
- Relevos verticais que funcionam como colunas de sustentação;
- Trama densa nos ombros e mais aberta na barra para garantir balanço.
Gola e mangas funcionais
A gola passou a ser considerada o chassi da peça. Estruturas reforçadas, às vezes com fitas de gorgorão invisíveis, dão estabilidade sem volume extra. Nas mangas, diminuições discretas concentram o excesso apenas onde se deseja, impedindo que o tecido se acumule nas axilas.
Detalhes técnicos essenciais
- Agulha: use tamanho pelo menos 1 mm acima do indicado no rótulo para deixar a trama mais fluida.
- Consumo de fio: entre 1,2 kg e 2 kg, dependendo do comprimento.
- Cores: podem ser misturadas, desde que todos os fios tenham mesma composição e Tex, evitando ondulações após a lavagem.
Em resumo, o maxicasaco de 2026 reúne engenharia têxtil manual e materiais de alto desempenho para entregar volume com propósito — a chave que transforma o crochê gigante de peça caseira em item de luxo urbano.
Imagem: Júlio Cezar Lisboa

