Eu acompanho de perto os bastidores do setor e fiquei impressionado com a virada que 2026 promete trazer depois do turbilhão de 2025. As apostas agora miram menos ruptura e mais estabilidade, mas sem ignorar o clima de incerteza que ronda a economia mundial.
Consolidação nas grandes maisons
O ano é decisivo para entender como as trocas de comando feitas em 2025 ganham forma nas passarelas.
• No fim de janeiro, chegam as primeiras coleções de alta-costura da Dior sob Jonathan Anderson e da Chanel sob Matthieu Blazy.
• Fevereiro marca a estreia completa de Demna na Gucci, durante a semana de Milão.
• O debut de Grace Wales Bonner na Hermès masculina só acontece em janeiro de 2027, mas a expectativa já movimenta o mercado.
• Na Versace, adquirida pelo grupo Prada, o lugar deixado por Dario Vitale segue vago e rumores apontam Pieter Mulier como favorito.
Com tanta atenção voltada para resultados de longo prazo, a palavra de ordem nas casas de luxo é continuidade.
Ventos econômicos desafiadores
Projeções do relatório State of Fashion indicam que o crescimento global do setor ficará abaixo do pós-pandemia. As tarifas impostas pelos Estados Unidos, ampliadas após a disputa pela Groenlândia, pressionam custos, cadeias de produção e estratégias de preços em 2026.
Luxo ganha força no Brasil
Enquanto o mundo pisa no freio, o mercado brasileiro avança de forma constante. Entre 2022 e 2024, o país cresceu 12% contra 3% do cenário global, segundo Bain & Company e Euromonitor.
• Consumidor local valoriza criação autoral.
• Turismo busca peças artesanais e identidade cultural.
• O sucesso internacional de marcas como Farm e Havaianas reforça o “efeito vitrine” do país.
• A nova Rio Fashion Week surge para recolocar a cidade no circuito internacional.
Exclusividade sob pressão
De 2020 a 2024, preços do luxo subiram acima da inflação e focaram nos VICs, que são apenas 2% da clientela, mas respondem por 40% das compras. O resultado: perda de até 80 milhões de consumidores ocasionais, aponta o grupo Les Echos.
Para 2026, Gucci e Dior já testam faixas de preço mais amplas, mesclando peças ultra exclusivas e produtos de entrada.
Criações locais, estratégias globais
O sucesso da coleção da Adidas para o Ano Novo Chinês, lançada em Xangai, sinaliza a ascensão dos produtos regionalizados. Estudos da Vogue Business e do Financial Times mostram que a personalização cultural vira resposta ao esgotamento do modelo padronizado.
Experiência é a nova vitrine
Grifes investem em ecossistemas que vão além das roupas:
- Filmes produzidos pela Saint Laurent
- Spas da Dior
- Acessórios fitness da Céline que lembram arte
- Grupos de corrida organizados pela Missoma
A lógica do narrative branding valoriza “terceiros espaços” que unem cultura, lifestyle e varejo.
Fast fashion busca upgrade
Zara, Mango e H&M migram para o segmento médio, elevando preços e qualidade para escapar da concorrência feroz da Shein, revela o Business of Fashion.
Segunda mão acelera
O resale cresce até três vezes mais rápido que o varejo tradicional e deve manter o ritmo até 2027.
Motivos:
- Busca por autenticidade e nostalgia
- Preços proibitivos no varejo convencional
- Preocupação ambiental
Marcas observam oportunidades: a Ralph Lauren já revende peças de arquivo restauradas em canais oficiais.
IA invade o design
Ferramentas de realidade virtual e modelagem 3D viram padrão na prototipagem e encurtam prazos. Mais de um terço dos executivos usa IA para criação de imagens, textos e atendimento. Campanhas híbridas, com modelos digitais, levantam debates sobre autoria e ética.
Joias e relógios no centro do palco
Com roupas cada vez mais caras, consumidores migram para itens duradouros. O Business of Fashion projeta que a categoria liderará o crescimento do luxo até 2028, vendendo quatro vezes mais rápido que vestuário e acessórios.
Diamantes cultivados em laboratório, que devem responder por metade das vendas globais até 2030, impulsionam o movimento ao combinar preço mais baixo e apelo ético.
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