Eu acompanho o vai-e-vem das tendências digitais e fiquei surpresa ao ver 2026 começar com um déjà-vu completo: de repente, tudo parece 2016 outra vez.
Como a onda começou
No fim de 2025, o perfil taybrafang no TikTok postou séries de vídeos que misturavam hits como “Panda”, de Desiigner, com montagens de momentos típicos de 2016. Cada clipe bateu cerca de 50 mil visualizações e inundou os comentários com pedidos para “transformar 2026 no novo 2016”.
• A hashtag #2016 somou 1,7 milhão de publicações em sete dias.
• No Instagram Reels, as buscas ligadas ao tema cresceram 452 %.
• Filtros de orelha de cachorro e coroa de flores reapareceram, junto com edições aesthetic no VSCO.
• Celebridades como Hailey Bieber e Selena Gomez entraram na brincadeira com posts de “antes e depois”.
O que fazia 2016 tão marcante
• Beyoncé lançava Lemonade.
• Stranger Things estreava na Netflix.
• Music.ly e Snapchat dominavam o tempo de tela.
Na beleza, reinavam contorno pesado, sobrancelhas grossas, batom matte e tranças boxeadoras. Na moda, o uniforme incluía jaqueta bomber, calça skinny, jeans destroyed, blusa ciganinha, chokers e botas over the knee. Tudo isso existia num cenário pré-pandemia e menos polarizado, visto hoje como mais espontâneo e menos perfeito.
Por que a estética voltou agora
O retorno não é apenas saudosismo: usuários tentam resgatar valores associados àquele período, como leveza, autenticidade e espaço para errar. Isso se traduz em:
• Conteúdos menos editados.
• Fotos saturadas sem retoque excessivo.
• Narrativas pessoais que priorizam conexão real.
Reflexos fora das telas
A busca por experiências analógicas acompanha o movimento digital:
- Mercado global de vinis movimentou US$ 1,4 bilhão em 2025; Geração Z respondeu por 45 % das vendas nos EUA.
- No TikTok Brasil, pesquisas por “comprar vinil” cresceram mais de 200 %.
- Hobbies manuais dispararam: tricô +1 200 %, kits de crochê +86 %.
- Pinterest projeta alta de 125 % nas buscas por “infância retrô” em 2026.
- Câmeras analógicas acumulam crescimento de 300 % desde 2020.
O que isso indica para 2026
A nostalgia opera agora como filtro cultural. Marcas, criadores e plataformas adaptam estratégias para entregar menos perfeição e mais proximidade, mostrando que o passado recente não é apenas lembrança: virou matéria-prima para um futuro mais humano e menos acelerado.
Imagem: Reprodução/Internet

