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Pochetes voltam à moda e ganham força em Curitiba

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Eu acompanho de perto a cena da moda urbana em Curitiba e confesso que me surpreendi ao ver como um acessório antes tachado de brega voltou às ruas com tanta popularidade.

Pochetes ressurgem nas passarelas, nos shows e até no dia a dia dos curitibanos, quase quatro décadas depois de terem dominado os anos 80 e 90. O item, que já foi sinônimo de praticidade e depois de mau gosto, agora se reposiciona como peça-chave em looks urbanos, esportivos e casuais.

Pochetes voltam à moda e ganham força em Curitiba

A capital paranaense assumiu protagonismo nesse retorno. Referência nacional para os adeptos do acessório, Curitiba chega ao 12 de março – Dia Internacional da Pochete – com histórias que explicam por que a bolsa de cintura (ou de tiracolo) conquistou vida longa por aqui.

Um usuário fiel desde 1991

O jornalista e publicitário Lycio Vellozo Ribas carrega sua pochete há 33 anos. “Eu só tiro para dormir, jogar bola ou tomar banho”, brinca. Segundo ele, o modelo clássico facilita a rotina porque reúne carteira, documentos, dinheiro e até canivete em um só lugar. O hábito começou por acaso, quando recebeu a peça como brinde em um cursinho em 1991, mas virou marca registrada.

Lycio lembra que, nos anos 2000, muita gente zombava do acessório. “Virou artigo brega”, recorda. Hoje, entretanto, nota o movimento inverso: mais pessoas aderem à pochete, principalmente no formato transversal, cruzada no peito ou nas costas.

Katsukazan: a marca curitibana que acelerou a tendência

Se a popularidade voltou, grande parte do crédito recai sobre a Katsukazan, fundada entre 2017 e 2018 pelos designers Priscila de Araújo Sabino e Guilherme Akio. O casal começou a costurar em casa, usando máquinas herdadas das famílias, enquanto fazia entregas de bicicleta pela cidade. A necessidade de proteger o celular da chuva levou-os a pesquisar materiais impermeáveis; daí surgiu a lona que hoje compõe quase todos os itens da marca.

O primeiro modelo, batizado de Pastel de Vento, permanece como carro-chefe. Compacta, a peça comporta celular, carteira e chaves, podendo ser usada na cintura ou a tiracolo. Depois vieram as versões Mini Rolinho e Rolinho Primavera, com capacidade ampliada. Atualmente, a Katsukazan vende cerca de 450 unidades por mês para todo o Brasil, alcançando ciclistas, viajantes, frequentadores de festivais e trilheiros.

Formas de uso que conquistaram diferentes públicos

  • Transversal (peito/costas): visual moderno e seguro para quem se desloca a pé ou de bicicleta.
  • Na cintura – frente ou lateral: mantém o estilo clássico dos anos 90, agora repaginado.
  • No ombro: usada como se fosse uma bolsa ou “cinto de segurança”, adiciona informalidade ao look.

Essa versatilidade ajuda a explicar por que tantas marcas nacionais passaram a incluir pochetes em suas coleções. Para Priscila, “o acessório deixou de ser moda passageira para se estabelecer como bolsa do dia a dia, tanto para homens quanto para mulheres”.

Por que o 12 de março virou Dia Internacional da Pochete?

A data não tem origem documentada, mas desde a década passada ganhou força nas redes sociais e no comércio global para celebrar o acessório. Criada nos anos 1970 por hippies como peça masculina, a pochete alcançou o auge nas décadas seguintes, caiu em desuso nos anos 2000 e agora renasce com roupagem contemporânea.

Curitiba como vitrine nacional

O casamento entre estilo prático e clima urbano favorece a capital paranaense. Ruas planas que estimulam o uso da bicicleta, festivais ao ar livre e a cultura de mochileiros explicam por que a pochete encontrou terreno fértil na cidade. Marcas como a Katsukazan confirmam a demanda crescente, enquanto consumidores fiéis, a exemplo de Lycio Vellozo Ribas, mostram que o acessório nunca perdeu totalmente a relevância.

No ritmo atual, especialistas do setor de moda preveem que o item continuará ocupando espaço nos armários brasileiros. Se antes a peça era vista apenas como adereço esportivo, agora passou a simbolizar mobilidade, segurança e liberdade para circular sem sobrecarregar os bolsos.

Quer conferir outras tendências que voltaram com tudo? A seção Tendência do nosso portal destaca peças icônicas que ressurgiram das décadas passadas e conquistaram as ruas novamente.

Com a pochete repaginada e diversos estilos de uso, o acessório prova que nunca é tarde para uma boa ideia de design voltar ao centro das atenções. Continue acompanhando nosso site para descobrir como outras peças vintage estão ganhando novos ares no guarda-roupa contemporâneo.

Com informações de Bem Paraná

Escrito por:

Priscila Moraes