Eu acompanho de perto o mercado de peças feitas à mão e me impressiona como a precificação correta do crochê tem mudado a vida de quem vive da agulha. Entender o custo real da peça deixou de ser detalhe: virou a diferença entre hobby e renda estável.
Por que só talento não paga boletos
Multiplicar o gasto com fio por três ou “cobrar no olho” já não funciona. O setor de produtos artesanais cresce e o cliente paga por exclusividade — desde que saiba onde cada centavo está aplicado.
Montando o preço final passo a passo
- Custos variáveis
• Some tudo que vai apenas naquela peça: novelos, acessórios, etiquetas, embalagem.
• Registre até o último centímetro de fio para não subestimar o gasto. - Valor da sua hora
• Defina quanto quer ganhar por 60 minutos de trabalho.
• Se a produção leva 10 horas e sua hora vale R$ 20, a mão de obra já soma R$ 200. - Margem de lucro
• Acrescente o percentual que financia novos equipamentos, cursos e crescimento do ateliê.
O que o cliente realmente compra
A percepção de valor vai além do ponto perfeito. Três frentes ajudam a justificar o investimento:
- Apresentação e storytelling – Mostrar o processo nas redes sociais humaniza o trabalho e revela a dedicação por trás de cada ponto.
- Especialização em nichos – Amigurumis de luxo, enxovais de bebê ou moda praia fortalecem autoridade e reduzem disputa por preço.
- Experiência de unboxing – Embalagem caprichada e bilhete escrito à mão elevam o status da peça e do artesão.
Não esqueça do “tempo invisível”
Horas gastas comprando materiais, respondendo orçamentos ou fotografando produtos também custam dinheiro. Inclua esses períodos nos custos fixos para evitar prejuízos mascarados.
Revisão constante protege o lucro
Fios e acessórios oscilam de valor. Atualize a tabela de preços com frequência; manter valores antigos por receio de perder encomendas traz desânimo e compromete a sustentabilidade do negócio.
Valorize a arte, valorize seu tempo
Calcular cada componente da produção permite investir em fios premium e evoluir tecnicamente, garantindo que o crochê continue rentável e prazeroso no longo prazo.
Imagem: Júlio Cezar Lisboa

