Moda circular deixou de ser conceito e se tornou estratégia econômica que empodera mulheres brasileiras. Eu acompanho essa pauta há anos e me surpreendi quando soube que o Instituto Por Elas, recém-ovacionado em Nova York, acaba de confirmar um giro pelo país antes de desembarcar em Milão.
No início de março, a entidade lotou a Câmara de Comércio da cidade de Nova York durante evento paralelo à 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher da ONU. Agora, o sucesso internacional servirá de vitrine para escalar o modelo social-selling em diferentes polos têxteis nacionais.
Projeto de moda circular brasileiro ganha rota nacional e chega a Milão
De Nova York a Belo Horizonte: início da jornada
A primeira parada ocorre em 16 de abril, em Belo Horizonte, onde o setor têxtil mineiro responde por parcela relevante da produção nacional. O encontro será colaborativo: cada convidada levará peças próprias para troca, ativando na prática o conceito de reaproveitamento e capital social.
Metodologia que gera renda e autonomia
Segundo a fundadora e advogada Rizzia Froes, o intercâmbio de roupas funciona como “capital-semente” que financia capacitação. A meta oficial prevê formar 30 mulheres em 2026 e alcançar 100 beneficiadas até o fim de 2027, respeitando as particularidades regionais durante o percurso.
- Números do setor apontam crescimento de 127 % no mercado de revenda até 2026, ritmo três vezes maior que o varejo tradicional (ThredUp).
- O programa une social selling, trilhas técnicas e mentoria para mulheres em vulnerabilidade.
- Parcerias com especialistas em ESG, branding e direito ampliam a rede de impacto.
Expansão por São Paulo, Goiânia e Salvador
Após Minas Gerais, o Instituto Por Elas leva a metodologia para São Paulo, Goiânia e Salvador. Cada cidade receberá dinâmicas adaptadas à cultura local, mas sempre com foco na economia circular como ferramenta de emancipação financeira.
Encerramento simbólico em Milão
A rota brasileira culmina em 18 de setembro, em Milão, um dia antes do início da semana de moda italiana. O evento contará com apoio do Consulado Brasileiro e posicionará a expertise nacional em sustentabilidade no epicentro da alta moda europeia. Para Rizzia Froes, “estar em Milão reforça que a moda circular é linguagem universal de dignidade”.
RE-VALORIZE: plataforma além da assistência
Com a circulação de peças entre territórios, o projeto batizado de RE-VALORIZE replica o próprio conceito de circularidade: o excedente de um mercado financia oportunidades em outro. A iniciativa já conecta diplomacia, inovação e impacto social, indo além do assistencialismo ao oferecer ferramentas concretas de autonomia.
Para quem deseja se aprofundar no tema, vale ler o artigo sobre tendências de reaproveitamento em moda circular, que detalha o cenário brasileiro.
Com a nova rota confirmada, a expectativa é que mais brasileiras transformem peças esquecidas no armário em fonte de renda e capacitação, reforçando o ciclo virtuoso da economia circular. Continue acompanhando nossas publicações para entender como a sustentabilidade pode impulsionar o futuro da moda no Brasil.
Com informações de BHeventos
