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Roer unhas eleva risco de infecção grave e amputação

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Roer unhas sempre pareceu um costume inofensivo, mas eu, que acompanho de perto temas de saúde preventiva, fiquei alarmada ao saber que a prática pode terminar em cirurgias complexas e, em casos extremos, na perda do dedo.

Especialistas alertam que, ao morder a unha, a pessoa rompe a barreira de proteção da pele, transfere bactérias da boca para o dedo e abre caminho para infecções sérias, como a osteomielite.

Roer unhas eleva risco de infecção grave e amputação

O cirurgião de mão Jefferson Braga Silva, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão, frisa que a boca hospeda uma enorme carga de micro-organismos. “Quando você leva essas bactérias para um meio diferente, cria-se um problema infeccioso”, resume o médico.

Por que a infecção avança tão rápido?

A ponta dos dedos tem pouco tecido entre a unha e o osso. Se a inflamação atravessa a cutícula e atinge o leito ungueal, a bactéria pode chegar ao osso distal, desencadeando osteomielite. Nesse estágio, antibióticos têm dificuldade de penetração; muitas vezes é preciso raspar ou retirar o fragmento ósseo contaminado.

Sintomas que exigem atendimento urgente

  • Vermelhidão persistente ao redor da unha
  • Calor local ou inchaço rápido
  • Dor intensa que piora ao toque
  • Pús ou secreção na borda ungueal
  • Escurecimento ou coloração arroxeada do dedo

“Ao menor sinal de vermelhidão, calor ou dor, procure emergência e solicite avaliação de um cirurgião de mão”, orienta Silva.

O que acontece se a infecção não for contida?

Quando a bactéria atinge a matriz ou o leito ungueal, a unha pode parar de crescer definitivamente. Se o osso for acometido, a necrose obriga a retirada do segmento afetado; em falanges muito pequenas, isso pode levar à amputação total da ponta do dedo.

Relato que chocou especialistas nos Estados Unidos

Em fevereiro de 2024, a norte-americana Gabby Swierzewski descobriu a gravidade do hábito. O que começou como um simples “unheiro” em 6 de fevereiro evoluiu para um inchaço intenso. Mesmo após antibióticos e drenagem, a dor se agravou até deixar o dedo roxo no Dia dos Namorados, 14 de fevereiro.

Encaminhada ao centro cirúrgico em 19 de fevereiro, Gabby passou por limpeza urgente de múltiplos abscessos. Só em 4 de março os médicos descartaram novas operações ou amputação. “Eu nunca imaginei que roer as unhas pudesse causar algo tão sério”, declarou à revista People.

Como abandonar o hábito de roer unhas

  1. Mantenha as unhas curtas e lixadas para reduzir a tentação.
  2. Use esmaltes com sabor amargo específicos para inibir a mordida.
  3. Identifique gatilhos de estresse e pratique técnicas de relaxamento.
  4. Recompense-se a cada semana sem roer, criando motivação extra.
  5. Considere terapia comportamental se o ato for compulsivo.

Prevenção é o melhor tratamento

Além de evitar o contato boca-dedo, hidratar cutículas e usar luvas quando exposto a produtos químicos ajuda a manter a barreira de proteção intacta. Caso ocorra um pequeno corte, a limpeza imediata com água e sabão seguida de antisséptico pode impedir a proliferação de bactérias.

Se você gosta de cuidar das mãos, confira também nosso guia de unhas decoradas, com inspirações que valorizam a saúde e a beleza das unhas.

Roer unhas não é apenas um vício estético: é um risco real de infecção que pode culminar em intervenção cirúrgica. Ao identificar qualquer sinal de inflamação, procure ajuda médica e considere estratégias para abandonar de vez o costume.

Com informações de CNN Brasil

Escrito por:

Priscila Moraes