Eu acompanho de perto o avanço da biotecnologia nacional e me surpreendi quando descobri como uma empresa de Manaus está convertendo pesquisas acadêmicas em produtos de saúde capazes de valorizar a floresta.
Startup de nanotecnologia fundada em 2023, a BioSpin transforma ativos da biodiversidade amazônica em soluções de alto desempenho para o setor médico e cosmético. A iniciativa é capitaneada por Andrey Marcos Pinho da Silva, 34 anos, doutor em Ciência e Engenharia de Materiais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Startup de nanotecnologia da Amazônia cria curativos bio
Ao retornar a Manaus em 2023, Silva enxergou a chance de romper o ciclo de exportação de matérias-primas de baixo valor agregado. Com apoio inicial do edital Jornada Amazônia, do Fundo Vale, ele estruturou a BioSpin como uma plataforma capaz de gerar nanofibras bioativas a partir de óleos e extratos florestais.
Do laboratório ao mercado: duas frentes principais
- Nanofiberdressing – película ultrafina para tratar feridas complexas, como o pé diabético;
- Nanoemulsão BioSpin – sérum regenerativo que combina copaíba, pracaxi, castanha-do-brasil e cumaru.
As nanofibras têm diâmetro inferior a 1 000 nm e carregam compostos que aceleram a cicatrização. O curativo biodegradável está em validação clínica e deve chegar ao mercado por R$ 60 a R$ 70, valor considerado acessível frente às mais de 28 amputações diárias causadas por pé diabético no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.
Sérum já disponível no varejo local
Enquanto o curativo avança na fase regulatória, o sérum regenerativo é vendido em estabelecimentos de Manaus por R$ 99. Atualmente, a produção gira em torno de 100 unidades mensais, enquanto a equipe finaliza a abertura de um e-commerce próprio.
Financiamento e próximos passos
Entre 2024 e 2025, a BioSpin captou R$ 190 mil em recursos para elevar o nível de maturidade tecnológica. O objetivo é chegar ao TRL 7 — estágio em que o protótipo opera em ambiente real — antes de escalar industrialmente e buscar a internacionalização.
Além de melhorar o acesso a tratamentos avançados, a empresa destinará 5% do lucro anual a comunidades extrativistas que fornecem a matéria-prima vegetal, reforçando o compromisso socioambiental.
Impacto regional e global
Silva acredita que o crescimento da BioSpin poderá “elevar a dignidade dos povos da floresta”, ao mesmo tempo em que posiciona a Amazônia como polo de tecnologia de ponta. “Precisamos escalar para chegar a outro patamar, que não vai parar no contexto local e nacional”, afirma o cofundador.
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Com iniciativas que unem ciência, mercado e conservação, a BioSpin desponta como exemplo de negócio capaz de gerar valor econômico sem abrir mão da responsabilidade socioambiental. Continue acompanhando o site para mais novidades sobre tecnologia e tendências de beleza.
Com informações de PEGN
Priscila Moraes
