Transição tributária é o termo que mais ouvi entre executivos do varejo de moda nas últimas semanas. Eu venho acompanhando de perto essas conversas e confesso que me surpreendi com a intensidade dos preparativos para um ano que ainda nem começou.
Enquanto 2026 se aproxima, a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX) alerta que a combinação de novas obrigações fiscais, redução de incentivos e busca por isonomia nas importações deve moldar o planejamento de toda a cadeia fashion.
Transição tributária pressiona moda em 2026, diz ABVTEX
A entidade, que reúne mais de 100 grandes marcas de vestuário, calçados e artigos têxteis para o lar, resume o cenário em três frentes: adequação tecnológica aos impostos CBS e IBS, revisão de benefícios previstos na LC 224/2025 e pressão por regras iguais para compras internacionais via plataformas de e-commerce.
1. Ajustes para CBS e IBS entram em fase de testes
A Lei Complementar 214/2025 colocou o País em contagem regressiva para a maior reforma do consumo já vista. Em 2026, empresas farão declarações meramente informativas, sem recolhimento financeiro, a fim de testar sistemas antes da cobrança efetiva da CBS em 2027 e do IBS em 2029.
- Integração de ERP e plataformas de venda aos novos layouts fiscais.
- Revisão de cadastros de produtos, NCM e regras de preço.
- Treinamento de equipes de contabilidade e TI para evitar retrabalho.
Segundo a ABVTEX, quem aproveitar o período de testes para validar rotinas terá vantagem competitiva quando a “virada de chave” ocorrer.
2. Corte de 10% nos incentivos exige redesenho financeiro
Paralelamente, a LC 224/2025 determina redução linear de 10% em diversos benefícios fiscais federais já a partir de 2026. A Receita Federal publicou um guia que detalha tributos abrangidos, exceções para lucro presumido e impactos sobre regimes especiais.
Para o varejo de moda—que opera com margens apertadas e cadeias longas de fornecimento—mapear cada operação tornou-se imperativo. “Uma malha de incentivos que antes sustentava determinadas lojas pode deixar de valer em poucos meses”, resume Edmundo Lima, diretor-executivo da ABVTEX.
3. Isonomia nas importações ganha força no Congresso
O avanço das compras internacionais de pequeno valor, facilitadas por marketplaces estrangeiros, acendeu sinal de alerta. A associação defende que a isenção atual crie “desequilíbrio competitivo e ameaça sistêmica” para marcas nacionais.
- Propostas legislativas visam eliminar ou reduzir faixas de isenção.
- Aneel, Receita e Ministério da Fazenda discutem novos controles aduaneiros.
- Países como Estados Unidos e França já apertaram regras similares.
A expectativa é de que 2026 seja marcado por intensas audiências públicas, com participação ativa do setor têxtil brasileiro.
Por que 2026 virou o ano decisivo para o varejo de moda
Empresas precisarão equilibrar a planilha de custos enquanto adaptam tecnologia, renegociam contratos de fornecimento e mantêm preços competitivos. Qualquer atraso pode significar perda de margem ou problemas de compliance.
Em resumo, o próximo ano funcionará como um grande “simulador” das novas regras fiscais, mas sem espaço para erro: cada teste em 2026 reduzirá riscos em 2027. Para a ABVTEX, navegar por esses três pilares—adequação tributária, gestão de benefícios e pressão por isonomia—é a única rota segura para preservar empregos e sustentar competitividade.
Se você quer entender como outras transformações vêm impactando o guarda-roupa brasileiro, vale conferir também o conteúdo atualizado em nossa seção de Moda Atualizada, onde analisamos tendências e regulamentações que mexem com o setor.
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Com informações de Varejo S.A
Priscila Moraes
