Eu acompanho as viradas de tendência em décor e me chamou atenção como o crochê assumiu um papel quase arquitetônico na mesa posta. O trilho de mesa minimalista, feito no conhecido ponto rede, passou de coadjuvante artesanal a peça-chave em ambientes contemporâneos.
Estrutura vazada valoriza o móvel
O fio agora trabalha com vãos bem calculados. A ideia é revelar a superfície – madeira, vidro ou laca – em vez de cobri-la. O desenho geométrico, composto por linhas retas e aberturas regulares, lembra grades de fachada e leva sobriedade à composição.
Ponto rede como tela abstrata
Chamado também de filet crochet, o ponto cria uma base quadriculada onde espaços cheios e vazios formam figuras. Em lugar de flores e babados, ganham destaque:
- Triângulos, losangos e retângulos concêntricos;
- Caminhos em chevron que conduzem o olhar ao longo da mesa;
- Color block em duas tonalidades neutras e contrastantes;
- Minimalismo assimétrico, com o motivo aparecendo só em uma ponta.
Fio certo garante caimento
Para manter a definição dos vãos e a peça reta, artesãos recorrem a:
- Algodão mercerizado ou misturas com linho, de brilho discreto;
- Espessura média, como barbante premium ou algodão cabo duplo;
- Torção firme, que evita deformação após lavagens.
O peso do material impede que o trilho deslize e acrescenta leve conforto térmico ao tampo.
Como montar a mesa sem sobrecarregar
Pratos de cerâmica em preto, branco ou cinza, de bordas irregulares, conversam com a textura do crochê. Outras soluções mantêm a linguagem clean:
- Dois trilhos cruzados na largura funcionam como jogos americanos;
- Sobreposição sobre toalha de linho lisa cria camadas de interesse;
- Centro de mesa reduzido – vaso de vidro com folhagens ou castiçais finos – evita competir com o desenho.
O resultado une a delicadeza do feito à mão à estética reta e leve que dita o ritmo dos interiores urbanos.
Imagem: Júlio Cezar Lisboa

