Eu acompanho de perto a evolução das redes de franquia e percebo como a eficiência operacional define quem acelera e quem fica para trás.
Varejo de moda no Brasil continua crescendo, mas nem todas as marcas sustentam o mesmo ritmo. Para Emilio Guerra, CEO da Skyler, o gargalo está menos no cenário econômico e mais na forma como cada rede conduz suas rotinas de loja, gestão e cultura corporativa.
Varejo de moda: operação limita expansão, diz CEO da Skyler
Em entrevista concedida em 03/04/2026 ao Jovem Pan Business, Guerra explicou que o setor deixou de girar apenas em torno do produto. “Hoje, resultado depende de processos integrados, experiência do cliente e capacidade de adaptação constante”, afirmou.
Escassez de mão de obra qualificada agrava gargalos
Um dos pontos críticos é a formação de equipes. A dificuldade de contratar vendedores e gerentes bem preparados tornou-se um problema nacional. Na indústria, a resposta tem sido a automação; nas lojas, entretanto, o desafio passa por desenvolver cultura, padronizar atendimento e treinar continuamente.
Segundo o executivo, a pressão aumenta durante a expansão. A necessidade de novos funcionários cresce mais rápido que a capacidade de treiná-los, o que derruba a eficiência. “Se o negócio vai bem, é por causa das pessoas. Se vai mal, também”, resume.
Preço pesa, mas percepção de valor decide
O comportamento de compra mudou. Embora o preço permaneça relevante, a decisão final agora considera percepção de valor. Peças básicas geram volume, mas itens de maior valor agregado constroem posicionamento e melhoram margens. “Quando o cliente percebe qualidade, ele paga, mesmo que custe mais”, destaca Guerra.
Nesse contexto, a loja física ganha novo papel: ser espaço de experiência. Iluminação, ambientação, atendimento e até estímulos sensoriais influenciam tanto a conversão quanto a fidelização.
Papel do franqueado é vital para manter padrão
No sistema de franchising, a responsabilidade recai sobre o franqueado. Padronização ajuda, mas não substitui gestão ativa. A Skyler reforça acompanhamento diário de métricas de venda, abastecimento e performance de equipe. Pequenas falhas, quando não detectadas rapidamente, afetam o caixa.
Um exemplo citado pelo CEO ocorreu numa convenção recente: um franqueado entregou relatório detalhado sobre estoque e logística da própria unidade. A análise mostrou como ajustes pontuais elevaram as vendas, levando a rede a rever processos internos.
Tecnologia, agilidade e dois perfis de operador
Para reduzir erros, a Skyler passou a implantar RFID em todas as lojas. Com rastreamento em tempo real, inventários que antes consumiam um dia inteiro agora terminam em menos de uma hora, elevando a precisão de dados e a reposição de produtos.
O desempenho, porém, também depende do perfil do franqueado. Há o operador tradicional, presente diariamente na loja, e o multifranqueado, mais focado em investimento e gestão de portfólio. “Ambos funcionam, desde que alguém esteja realmente cuidando da operação”, observa Guerra.
Modelo baseado em consistência
Fundada em 1997, em Fortaleza, a Skyler mantém 69 unidades — 68 físicas e um e-commerce integrado — e cresce acima da média do setor. Para o CEO, não há fórmula secreta: “É fazer o básico bem feito: atender bem, escutar e ter vontade de servir”.
Com mercado competitivo e consumidor exigente, a mensagem é direta: crescer não é o maior desafio, operar bem é.
Se você se interessa por inovações que aumentam a eficiência das lojas, confira como a tecnologia tem impulsionado marcas no artigo “O impacto da tecnologia no varejo de moda” em modadesubculturas.com.br e aprofunde-se nesse tema.
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Com informações de Jovem Pan
