Eu acompanho mensalmente os números do comércio e confesso que me chamou a atenção a reação positiva logo no início de 2026.
Varejo do DF cresce 6,9% em janeiro, aponta IBGE. A Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE mostrou que o volume de vendas no Distrito Federal subiu 6,9% em relação a janeiro de 2025, mesmo após uma leve retração de 0,3% frente a dezembro, já descontados os efeitos sazonais.
Varejo do DF cresce 6,9% em janeiro, aponta IBGE
No recorte dos últimos 12 meses, o varejo do DF acumula avanço de 4,2%, sinalizando resiliência após um fim de ano marcado por promoções agressivas. Considerando apenas 2026, o crescimento também é de 6,9%, reforçando a manutenção do ritmo logo no primeiro mês do calendário.
Panorama geral do desempenho
Em âmbito nacional, as vendas varejistas subiram 0,4% na passagem mensal, colocando o resultado de Brasília em linha com uma acomodação natural após o Natal. Ainda assim, a capital federal apresentou ganho relevante na comparação anual, apoiada sobretudo em segmentos ligados ao consumo pessoal.
Destaques de alta e de queda
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico: +35,2% (maior variação positiva).
- Farmácia, perfumaria e cosméticos: +13,9%.
- Hipermercados e supermercados: +7,5%.
- Livros, jornais, revistas e papelaria: +5,5%.
- Móveis e eletrodomésticos: +1,6%.
Três atividades perderam fôlego:
- Equipamentos de informática e comunicação: −16,6%.
- Combustíveis e lubrificantes: −5,9%.
- Tecidos, vestuário e calçados: −1,7%.
Por que perfumaria e cosméticos puxaram a fila?
O grupo de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos avançou 13,9%, mantendo a tendência vista desde o segundo trimestre de 2025. De acordo com lojistas, as fragrâncias continuam no topo das preferências, impulsionadas por lançamentos, maior busca por produtos premium e promoções agressivas no início do ano.
Mariano Cordeiro, gerente de compras da Lord Perfumaria, observa que janeiro superou as expectativas, mesmo que fevereiro tenha registrado desaceleração atribuída ao Carnaval. “Notamos consumidores mais atentos a preços e dispostos a esperar por ofertas. Ainda assim, projetamos alta de 10% nas vendas até dezembro, puxada por datas-chave como Dia das Mães e Natal”, diz.
Análise da Fecomércio-DF
Para José Aparecido Freire, presidente do Sistema Fecomércio-DF, a recomposição de salários no setor público e a queda gradual do desemprego explicam a maior disposição para compras. “O incremento na renda familiar potencializa segmentos de gasto discricionário, algo que ficou evidente na forte expansão de perfumaria e cosméticos”, avalia.
Sobre a retração mensal, Freire minimiza: “Dezembro é sempre o pico. O resultado de janeiro é, na prática, uma acomodação fisiológica”. Mesmo assim, ele pontua que fatores políticos, como o esvaziamento do Congresso a partir de junho por conta das eleições, podem interferir no ritmo econômico local.
Varejo ampliado também avança
No conceito ampliado, que inclui veículos, material de construção e o atacado de alimentos, o volume de vendas cresceu 1% ante dezembro e 4,5% sobre janeiro de 2025. A receita nominal do comércio do DF subiu 0,7% na passagem mensal e 10% na comparação anual, refletindo tanto maior quantidade vendida quanto reajustes de preços.
Expectativas para 2026
Empresários seguem cautelosos, mas otimistas. A combinação de renda em alta, inflação sob controle e calendário de datas comemorativas robusto sustenta projeções de crescimento moderado. Segmentos que tiveram queda em janeiro buscam reposicionar preços e ampliar ações promocionais para reconquistar o consumidor durante o primeiro semestre.
Se você se interessa por tendências de consumo e quer saber como as novas fragrâncias podem influenciar o mercado de beleza, confira nosso guia atualizado em 7 tendências de perfumes para 2026.
Em resumo, o varejo do DF iniciou 2026 em terreno positivo, apoiado na recuperação da renda e no apetite por artigos de uso pessoal. O comportamento dos próximos meses dirá se o impulso se transforma em trajetória de crescimento sustentado. Continue acompanhando nossas análises para entender cada mudança no cenário econômico local.
Com informações de Jornal de Brasília
Priscila Moraes
