Veneno de vespa do Cerrado deixou de ser apenas tema de pesquisa acadêmica e virou matéria-prima high-tech para a pele graças à Biointech, startup de Brasília que transforma descobertas da Universidade de Brasília em ingredientes para a indústria de beleza.
Eu acompanho o mercado de dermocosméticos e me surpreendi ao descobrir que moléculas de um inseto regional já rendem cremes antiacne e antienvelhecimento capazes de disputar espaço com marcas globais.
Veneno de vespa inspira novos ativos cosméticos da Biointech
Da bancada universitária à criação da startup
A história começou no laboratório de neurofarmacologia da UnB, onde a professora Márcia Mortari pesquisava compostos do marimbondo em busca de alternativas para epilepsia refratária. A molécula promissora, batizada de Neurovespina, motivou a união da pesquisadora com o empreendedor João Davison Silva Ramalho. Em 2016, nascia a Biointech, apoiada financeiramente pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF).
Com aporte inicial do edital Start BSB, a dupla transformou ciência pura em negócio. Hoje, seis cães com epilepsia tratam-se com Neurovespina no Hospital Veterinário da UnB e apresentam controle total das crises, demonstrando a força do projeto.
Como os peptídeos bioinspirados são produzidos
Embora o ponto de partida seja o veneno de vespa, nenhum inseto é coletado ou explorado. Os pesquisadores analisam a estrutura das toxinas, desenham versões seguras em computador e sintetizam as cadeias de aminoácidos em laboratório, usando matéria-prima vegetal. O resultado são peptídeos de alta pureza, com produção escalável e rastreável.
Linha Tekohá: cinco soluções para a pele
Da biotecnologia surgiu a coleção Tekohá, já disponível para fabricantes de cosméticos, farmácias de manipulação e laboratórios. Os ativos entregam benefícios específicos:
- Controle da acne inflamatória;
- Redução de linhas de expressão;
- Clareamento de melasma;
- Atenuação de olheiras;
- Diminuição de inchaço ao redor dos olhos.
Segundo João Ramalho, o segredo está em unir biodiversidade brasileira, método científico rigoroso e demanda do mercado global por ingredientes sustentáveis.
Modelo de negócios B2B e expansão internacional
A Biointech atua majoritariamente no formato B2B, fornecendo insumos prontos ou desenvolvendo peptídeos sob medida para outras empresas. A startup já expôs soluções em feiras como In-Cosmetics e In Beauty Portugal, além de eventos nacionais do Sebrae e Campus Party.
A Finep também financia um novo projeto voltado ao setor agro, reforçando a versatilidade da plataforma tecnológica.
Próximos passos: escala industrial e ponte universidade-indústria
Nos próximos anos, o objetivo é ampliar a capacidade de síntese de peptídeos em escala industrial, consolidando Brasília como polo de biotecnologia e aproximando ainda mais a UnB do setor produtivo.
Quem acompanha tendências de beleza sabe que ingredientes exóticos vêm ganhando espaço. Se quiser entender como outras matérias-primas inusitadas chegam ao nécessaire, confira a seção de cosméticos em Modas Subculturais.
Inovações como a da Biointech mostram que a biodiversidade brasileira pode gerar não só pesquisas de ponta, mas também produtos competitivos e, principalmente, sustentáveis.
Com informações de Agita Brasília
